COVID‑19 e vírus Nipah: dois vírus, riscos muito diferentes

Quando se fala em ameaças virais globais, o SARS‑CoV‑2 (causador da COVID‑19) e o vírus Nipah costumam aparecer em listas de patógenos preocupantes, mas com perfis bem distintos em termos de transmissão, letalidade e impacto na sociedade. Enquanto a COVID‑19 se espalhou rapidamente pelo mundo, o Nipah permanece, por enquanto, restrito a surtos localizados, porém com potencial devastador. O que é o vírus Nipah? O vírus Nipah é um patógeno transmitido principalmente por morcegos‑frugívoros e pode passar para humanos via contato com animais infectados (como porcos) ou com secreções de pessoas doentes. Seu período de incubação varia de 4 a 21 dias, e a infecção costuma se manifestar como febre, dor de cabeça, mialgia e, em muitos casos, evolui para encefalite aguda e problemas respiratórios graves. A taxa de letalidade estimada fica entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade local de atendimento, o que o torna um dos vírus mais mortais já descritos. Veja Também:Vírus Nipah em crianças: riscos, sintomas e formas de prevenção Apesar disso, o Nipah ainda não gerou uma pandemia. Os surtos ocorreram principalmente na Ásia (Malásia, Singapura, Bangladesh, Índia), em contextos bem específicos, e não há vacina ou tratamento específico aprovado em larga escala. Isso significa que o risco global é alto, mas o alcance geográfico é limitado – por enquanto. A COVID‑19: transmissão rápida, letalidade menor O SARS‑CoV‑2, por outro lado, mostrou capacidade extraordinária de se espalhar por meio de gotículas respiratórias e superfícies contaminadas, inclusive por pessoas assintomáticas. Sua letalidade é significativamente menor que a do Nipah, mas a combinação de alta transmissibilidade e circulação global gerou uma pandemia que deixou milhões de mortes em todo o mundo, incluindo mais de 600 mil óbitos apenas no Brasil. No Brasil, o primeiro caso confirmado foi em 26 de fevereiro de 2020, em São Paulo, em um homem que havia retornado da Itália, onde a epidemia já estava em curso. Poucos dias antes, o país vivia o Carnaval, com milhões de pessoas em aglomerações em ruas, blocos e escolas de samba. Fomos alertados antes do Carnaval? Oficialmente, a confirmação do primeiro caso no Brasil ocorreu um dia após o fim do Carnaval de 2020, o que indica que, ao menos em nível nacional, o alerta formal veio tarde demais para mudar o calendário da festa. Naquele momento, o Ministério da Saúde reforçava medidas básicas de higiene e etiqueta respiratória, mas não havia ainda recomendações claras para cancelar grandes eventos. Em retrospectiva, muitos especialistas e órgãos como a Fiocruz passaram a destacar que grandes aglomerações, como o Carnaval, representam risco elevado para a disseminação de vírus respiratórios, inclusive da própria COVID‑19 em anos posteriores. Carnaval é mais “importante” que a saúde? O Carnaval é, sem dúvida, um marco cultural, econômico e turístico para o Brasil, movimentando bilhões de reais e envolvendo milhões de pessoas. No entanto, a pandemia mostrou que, em contextos de surto de doenças altamente transmissíveis, a prioridade deve ser a saúde pública: adiar ou cancelar grandes eventos pode salvar vidas e reduzir o colapso do sistema de saúde. A lição da COVID‑19 é que a festa pode esperar; o vírus, não. Fontes utilizadas na pesquisa: 📺 Acompanhe nossa Web TV no Portal Vale em Ação! Vale em Ação WhatsApp
Viep Ubatuba reforça intensificação de vacina contra febre amarela – Prefeitura Municipal de Ubatuba

A Vigilância Epidemiológica de Ubatuba (Viep) reforça o chamamento à população que recebeu dose fracionada da vacina contra a febre amarela no ano de 2018 e que ainda não realizou a dose plena (padrão). A orientação segue diretriz atualizada do Ministério da Saúde e tem como objetivo garantir proteção individual duradoura contra a doença. Desde setembro de 2025, o setor vem reforçando a campanha para atualizar a situação vacinal da população a partir dos 9 meses de idade, com destaque para aqueles que receberam a dose fracionada em 2017 ou 2018, que deverão receber a dose plena, em especial, pessoas de fora que pretendem se deslocar de Ubatuba. De acordo com o Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), as pessoas que receberam apenas a dose fracionada não são consideradas plenamente vacinadas, sendo recomendada a administração de uma dose padrão da vacina contra a febre amarela, a qualquer tempo, desde que respeitadas as contraindicações previstas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) “Essa aplicação não é caracterizada como dose de reforço, mas sim como regularização do esquema vacinal, conforme orientação técnica do Ministério da Saúde”, explicou a enfermeira coordenadora da Viep, Alyne Ambrogi. A febre amarela é uma doença grave e pode ser fatal. A vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção. Trata-se de uma doença infecciosa causada por um vírus transmitido pela picada de um mosquito infectado. Não há transmissão direta de pessoa a pessoa. Seus sintomas iniciais são febre com calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores musculares, vômitos e fraqueza. A doença é considerada uma arbovirose, assim como a dengue, zika e chikungunya. Moradores que têm dúvidas se receberam a dose fracionada em 2018 ou que ainda não completaram o esquema vacinal devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para verificação da caderneta e atualização da vacina. Prefeitura de Ubatuba
CRA abre 25 vagas para vacina V4 em felinos entre os dias 15 e 18 – Prefeitura Municipal de Ubatuba

O Centro de Referência Animal (CRA) anunciou a abertura de 25 vagas para aplicação da vacina V4 em felinos, com atendimentos agendados entre os dias 15 e 18 deste mês. Para garantir a dose, os tutores devem realizar o agendamento exclusivamente pelo WhatsApp (12) 3833-1004. A diretora do Bem-Estar Animal, Elisangela Leite, reforça a importância da imunização, especialmente para gatos que vivem ou têm contato com ambientes externos. “A vacina V4 é essencial para a proteção dos felinos. Ela previne doenças graves, altamente contagiosas e muitas vezes fatais. Quanto mais protegidos estiverem, menor o risco de surtos e de sofrimento animal,” destacou a diretora. Para que serve a vacina V4? A vacina V4 é uma das principais imunizações do protocolo felino. Ela protege contra quatro doenças virais: • Panleucopenia Felina: doença altamente contagiosa que causa vômitos, diarreia severa e pode ser fatal, especialmente em filhotes.• Rinotraqueíte Viral Felina: infecção respiratória que provoca secreção nasal, espirros e conjuntivite.• Calicivirose Felina: causa úlceras na boca, dificuldade para se alimentar e problemas respiratórios.• Clamidiose Felina: provoca conjuntivite intensa e problemas respiratórios, podendo se espalhar rapidamente entre gatos. A vacinação é recomendada tanto para gatos filhotes, que precisam iniciar o esquema imunológico, quanto para adultos, que necessitam de reforço anual para manter a proteção. As aplicações ocorrerão no CRA, localizado na Avenida Pacaembu, nº 101, no bairro Estufa I. Prefeitura de Ubatuba
VACINA SINCICIAL DISPONÍVEL A PARTIR DE…

A Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, informa que a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) estará disponível em todas as unidades de saúde da cidade a partir da tarde desta quinta-feira (11). O imunizante é destinado exclusivamente às gestantes com 28 semanas ou mais, reforçando o cuidado com a saúde da mãe e a proteção do bebê, principalmente nos primeiros meses de vida. Para receber a dose, é necessário apresentar comprovante da idade gestacional, como cartão do pré-natal, laudo ou outro documento válido, além da carteira de vacinação. A vacina tem como objetivo reduzir a ocorrência de quadros graves causados pelo VSR, vírus que pode provocar bronquiolite e pneumonia em recém-nascidos e lactentes. Ao se vacinar, a gestante transmite anticorpos ao bebê, garantindo proteção logo nos primeiros dias de vida, período em que o organismo ainda é extremamente vulnerável. A Secretaria de Saúde reforça que a vacinação é uma medida essencial para prevenir internações, diminuir complicações e proteger a vida das crianças. Todas as unidades já estão preparadas para receber o público-alvo e orientar sobre o procedimento. Prefeitura de Aparecida
Saúde realiza edição do “Sextou com Vacina” na sexta-feira, 28 – Prefeitura Municipal de Ubatuba

A Secretaria de Saúde de Ubatuba promove nesta sexta-feira, 28 de novembro, mais uma edição do programa “Sextou com Vacina”, ação que amplia o acesso da população aos serviços de saúde com atendimento em horário estendido, das 8h às 21h, em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS), exceto Araribá, Corcovado, Fortaleza, Puruba, Sertão Ubatumirim, Almada, Camburi e Picinguaba. Nesta edição, a oitava do ano, além da atualização vacinal para todas as faixas etárias conforme o calendário em vigor, as unidades participantes também oferecerão ações voltadas à saúde do homem, alinhadas ao movimento Novembro Azul. Também serão ofertadas consultas agendadas, coleta de papanicolau e atividades de educação em saúde para a comunidade. A programação inclui ainda as ações da Campanha Fique Sabendo, que aproveitará o horário estendido para ampliar o acesso à testagem de HIV, sífilis e hepatites virais, além de oferecer aconselhamento e orientações para prevenção combinada e cuidado integral. O objetivo é incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer a busca ativa por pessoas que possam estar expostas às infecções sexualmente transmissíveis. Criado em 2023, o “Sextou com Vacina” tem se consolidado como uma estratégia importante para facilitar o acesso da população a serviços essenciais, especialmente para quem enfrenta dificuldades durante a rotina da semana. “No próximo ano o programa trará novidades: deixará de ser apenas uma ação da Vigilância Epidemiológica voltada à atualização vacinal para se tornar um serviço ampliado, envolvendo mais unidades e setores. A proposta é fortalecer o acesso da população à atenção básica e facilitar a busca por cuidados preventivos”, destacou a enfermeira coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Alyne Ambrogi. A Secretaria de Saúde já planeja a continuidade e expansão do programa para 2026, incluindo a ampliação de unidades participantes e a oferta de novos serviços e unidades abertas em horário estendido. Prefeitura de Ubatuba
Saúde de Ubatuba aplica quase 6 mil doses de vacina em outubro – Prefeitura Municipal de Ubatuba

Outubro foi o mês em que Ubatuba comemorou seu aniversário de 388, entretanto, não é só a data que o município tem como motivo para celebrar. Durante todo o mês, o setor da Vigilância Epidemiológica (Viep) da Secretaria de Saúde promoveu campanhas de vacinação em toda a cidade, inclusive, com realização de “Dia D”, que culminou na aplicação de 5.943 vacinas no mês de outubro. A primeira campanha foi voltada para a imunização contra o HPV, destinada a jovens de 9 a 19 anos que ainda não receberam as doses indicadas – e que foi prorrogada pelo Governo do Estado até 30 de novembro – Saiba mais em https://www.ubatuba.sp.gov.br/noticias/hpv3011/ . Já a segunda iniciativa corresponde à multivacinação para atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes, com emissão de certificado atualizado de situação vacinal, que é um documento obrigatório para matrícula e rematrícula escolar. Do total de 5.943, 5.761 doses foram aplicadas em pessoas de até 15 anos, referente à multivacinação. Já a imunização contra HPV contabilizou 142 doses em adolescentes de 9 a 14 anos e 40 doses em jovens de 15 a 19 anos. Também é preciso citar os números referentes à vacinação contra febre amarela, cuja campanha de intensificação teve início no dia 9 de setembro e realização no Dia D em 13 de setembro, que imunizou 470 pessoas. Desde o início da campanha até 31 de outubro, foram aplicadas 2.052 doses. Saiba mais sobre a indicação da vacina e como obter o certificado para viagens internacionais em: https://www.ubatuba.sp.gov.br/destaques/diadfebreamarelaset/. Vacinação Inclusiva Uma equipe da Viep promoveu, ainda, uma ação de vacinação inclusiva, que aconteceu na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE de Ubatuba nos dias 21 e 24 de outubro. A iniciativa teve como objetivo atualizar a situação vacinal de atendidos, profissionais e responsáveis, conforme a necessidade de cada um. Foram 123 registros de vacina em 55 pessoas, entre atendidos e profissionais que trabalham na Apae. “O processo de imunização foi adaptado ao ritmo e à forma de interação de cada atendido, com abordagens diversas que incluíram ações lúdicas e adaptações no espaço para garantir conforto. Não foram registrados casos de desregulação emocional ou comportamental durante o processo. Além disso, a atividade contou com boa aceitação por parte da equipe da APAE e dos responsáveis”, comemorou a enfermeira coordenadora da Viep, Alyne Ambrogi. Prefeitura de Ubatuba
Funcionamento da sala de vacina da UBS Saco da Ribeira terá alteração temporária – Prefeitura Municipal de Ubatuba

A Secretaria Municipal de Saúde informa que a sala de vacina da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Saco da Ribeira terá alteração temporária em seu funcionamento. A medida é decorrente da realização de uma reforma estrutural e, por isso, o serviço de imunização acontece somente às terças-feiras, das 8h às 15h, a partir desta terça, 04, até o final das obras. Nos demais dias da semana, os moradores que precisarem se vacinar poderão se dirigir às UBSs do Rio Escuro ou do Perequê-Mirim, onde o serviço segue normalmente. Os demais atendimentos e serviços da unidade do Saco da Ribeira, como consultas médicas, de enfermagem, renovação de receitas e acompanhamento de programas, continuam sendo realizados sem interrupções. Segundo a pasta, a reforma vai oferecer um espaço mais adequado ao atendimento da população, proporcionando mais qualidade no serviço e melhores condições de trabalho para os profissionais. A Secretaria de Saúde conta com o apoio da comunidade e agradece a compreensão dos usuários da UBS. Prefeitura de Ubatuba
“Não vamos negar aos nossos filhos o direito à vacina”, diz Padilha

Em pronunciamento na TV e rádio nesta sexta-feira (17), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou o chamado para o dia D da vacinação em todo o país neste sábado (18), das 8h às 17h, para crianças e adolescentes até 15 anos de idade. “Não vamos negar aos nossos filhos um direito que nossos pais não nos negaram”, disse o ministro. Padilha explicou que estarão disponíveis mais de 16 tipos de vacinas voltados para crianças e adolescentes. “É dia de sair de casa e levar nossas crianças para se vacinar para o Brasil voltar a ser campeão mundial em vacinação”, ressaltou. Caderneta As famílias podem checar a situação vacinal das crianças e adolescentes pelo aplicativo Meu SUS Digital. Com a tecnologia, é possível verificar quais vacinas já foram aplicadas e quais ainda precisam ser tomadas. A campanha segue até o fim de outubro e vale para todas as vacinas do Calendário Nacional de Vacinação. Desinformação O ministro recordou que a vacina é gratuita em todo o país e que o Brasil é um país livre da paralisia infantil, do tétano neonatal, da rubéola e do sarampo por conta das campanhas de imunização. “Enquanto outros países estão vendo o sarampo voltar, o Brasil voltou a ser reconhecido em 2024 como o país livre da doença”. O ministro apontou que, depois de seis anos de queda de imunização, o governo brasileiro tem combatido a desinformação com tecnologia. “Criamos a caderneta digital de saúde da criança, que já leva informações seguras sobre vacinação para mais de 1,8 milhão de famílias brasileiras. O Brasil lidera a desinformação sobre vacinas na América Latina. Segundo estudo Desinformação Antivacina na América Latina e no Caribe, o Brasil concentra 40% de todo esse tipo de material que circula pela rede social Telegram. O estudo mapeou 81 milhões de mensagens que foram publicadas em 1.785 comunidades de teorias da conspiração do Telegram que circularam entre 2016 e 2025 em 18 países da América Latina e do Caribe. E identificou 175 supostos danos que teriam sido atribuídos às vacinas e 89 falsos antídotos que estavam sendo vendidos como uma forma de neutralizar seus efeitos. A estrela da campanha deste ano é a apresentadora Xuxa Meneghel, eterna rainha dos baixinhos. Na peça, Xuxa e Zé Gotinha mandam o recado para a meninada, além dos pais e adultos responsáveis. Outubro rosa Além da vacinação, o ministro destacou no pronunciamento a campanha pelo Outubro Rosa. “Ao levar seus filhos para vacinar, não se esqueça de cuidar de você também. O Ministério da Saúde ampliou o acesso à mamografia com novas regras”. Agora, o SUS garante o exame para mulheres de 40 a 74 anos. Fonte
Brasil lidera desinformação sobre vacina na América Latina, diz estudo

Um estudo divulgado nesta sexta-feira (17), no Dia Nacional da Vacinação, apontou que o Brasil lidera a desinformação sobre vacinas na América Latina, concentrando 40% de todo esse tipo de material que circula pela rede social Telegram. Chamado de Desinformação Antivacina na América Latina e no Caribe (Anti-vaccine Disinformation in Latin America and the Carribean) o estudo mapeou 81 milhões de mensagens que foram publicadas em 1.785 comunidades de teorias da conspiração do Telegram que circularam entre 2016 e 2025 em 18 países da América Latina e do Caribe. E identificou 175 supostos danos que teriam sido atribuídos às vacinas e 89 falsos antídotos que estavam sendo vendidos como uma forma de neutralizar seus efeitos. Elaborado pelo Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas, o levantamento apontou que o Brasil lidera o volume de mensagens e o número de usuários ativos que participam de comunidades conspiratórias sobre vacinas, sendo responsável por mais de 580 mil conteúdos falsos ou com desinformação sobre imunização. Para Ergon Cugler, coordenador do estudo e pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas (DesinfoPop/FGV), o Brasil aparece na liderança porque ainda carece de regulação. “Temos um ambiente digital ainda pouco regulado, com plataformas que lucram com o engajamento por meio do medo. Temos também uma sociedade polarizada, o que cria um terreno fértil para o discurso conspiratório”, disse à Agência Brasil. Entre os líderes desse ranking também estão a Colômbia, com 125,8 mil mensagens falsas; o Peru, com 113 mil, e o Chile, com 100 mil publicações com conteúdos falsos. Conteúdos falsos mais comuns Entre as alegações falsas mais comuns que circularam nesses grupos de conspiração estava a de que a vacina provoca morte súbita (15,7% do total das mensagens mencionavam isso) ou altera o DNA de quem a toma (8,2%). Também houve falsas menções de que a vacina provoca Aids (4,3%), envenenamento (4,1%) ou câncer (2,9%). Além disso, os grupos de teorias conspiratórias apontam possíveis “antídotos” contra as vacinas, misturando pseudociência, espiritualidade e consumo. Entre essas falsas alegações estavam a de que era preciso ficar descalço no solo para limpar energias do corpo (2,2% das mensagens mencionavam isso) ou comprar dióxido de cloro (1,5%) ou outras substâncias químicas. Segundo o Ministério da Saúde, essas informações são totalmente erradas e podem, inclusive, provocar danos à saúde da população. O dióxido de cloro tem venda controlada e é categorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como saneante, ou seja, destinado à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e públicos, e no tratamento de água. “Usado em produtos de limpeza, a substância, conhecida também pelos nomes MMS, CDS e Solução Mineral Milagrosa, foi muito propagada durante a pandemia de covid-19, mesmo sem nenhuma eficácia comprovada. O importante é entender o perigo de usar a substância, que é altamente reativa e tóxica, podendo levar as pessoas a graves riscos à saúde”, informou o ministério da saúde em uma publicação feita no ano passado, alertando que essa substância pode, inclusive, levar à morte. Segundo Cugler, a desinformação é um mercado lucrativo e uma grande ameaça à saúde pública. “Ela [a desinformação] funciona como um funil de vendas: primeiro, espalha medo com alegações falsas sobre vacinas e, depois, oferece produtos, cursos e terapias como supostas ‘curas’. O antivacinismo virou um mercado, onde o pânico é transformado em lucro. Essas comunidades exploram o medo, misturam pseudociência com espiritualidade e vendem soluções milagrosas sem base científica”, disse ele. Esses conteúdos falsos, explicou o coordenador do estudo, utilizam jargões científicos para parecem sérios, mas não têm qualquer embasamento científico. “O objetivo é plantar dúvida e medo, minando a confiança na ciência”, esclareceu. Vacinação infantil na Creche Sempre Viva, na cidade satélite de Ceilândia, DF Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Pandemia O volume de desinformação sobre vacinas foi ainda mais intenso durante a pandemia de covid-19. O levantamento feito pelo DesinfoPop mostrou que as postagens sobre vacinas em comunidades conspiratórias nos países da América Latina e Caribe cresceram 689,4 vezes entre os anos de 2019 e 2021, passando de 794 posts em 2019 para 547.389 em 2021. Depois desse pico, o volume voltou a diminuir, mas não voltou ao que era antes: em 2025, com dados até o mês de setembro, ainda circulam 122,5 vezes mais conteúdo antivacina do que em 2019, somando cerca de 97 mil postagens. Para o coordenador do estudo, essa desinformação é um projeto que atrapalha as políticas públicas de saúde e pode colocar a vida das pessoas em risco, abrindo espaço para o reaparecimento de doenças que já estavam controladas. Por isso, ele orienta que as pessoas devem sempre desconfiar de conteúdos que apelam para o medo ou a emoção e, depois, checar a fonte de informação, ou seja, de onde veio essa notícia. “Se [o conteúdo] não vem de uma instituição científica, de saúde pública ou de jornalismo profissional, é melhor não compartilhar [a notícia]. E o mais importante: sempre busque informação em fontes oficiais, converse com profissionais de saúde e lembre-se que vacina é uma conquista coletiva, não um risco individual”, ressaltou. Vacinas são seguras O Ministério da Saúde ressalta que a propagação de fake news é um dos fatores que mais impacta na adesão da população às campanhas de imunização. Para tentar reverter isso, o Ministério da Saúde lançou o programa Saúde com Ciência, uma iniciativa em defesa da vacinação e voltada ao enfrentamento da desinformação. Pelo site da iniciativa, a população brasileira pode obter informações confiáveis sobre vacinação e também sobre as fake news que circulam na internet. Também é possível enviar informações duvidosas para que a equipe do Ministério da Saúde possa responder sobre essas dúvidas em seus canais. O site traz ainda um passo a passo sobre como cada um pode denunciar, nos canais oficiais das plataformas digitais, os conteúdos enganosos, contribuindo para reduzir a sua disseminação na internet. Fonte
Baixa adesão de meninos à vacina do HPV preocupa governo de São Paulo

O governo do estado de São Paulo emitiu um alerta, nesta quinta-feira (16), para pais e responsáveis sobre a importância da vacina do HPV (papilomavírus humano) para adolescentes. A campanha de vacinação para evitar a doença acontece durante todo o mês de outubro e o governo estadual está preocupado com a baixa adesão ao imunizante, principalmente entre os meninos de 9 a 14 anos de idade. Neste ano, segundo dados do Ministério da Saúde, esse grupo representou uma cobertura de vacinação de apenas 67,7%. As meninas, na mesma faixa etária, têm uma cobertura vacinal maior, de 79,8%, contudo, ao observar somente as garotas de 14 anos de idade, o grupo apresenta cobertura de 98,3%. Os dados do Ministério da Saúde apontam que pais e responsáveis levam, eventualmente, as meninas para serem vacinadas contra o HPV, mas o mesmo não ocorre com os meninos. A cobertura vacinal de meninos, com 14 anos, é de 75,5%, um número próximo da média das idades indicadas para a vacinação contra o vírus. A imunização contra o HPV é a forma mais segura e eficaz de prevenir diversos tipos de câncer, como o de colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe. “Apesar de termos um programa de imunização amplo e eficiente, muitas pessoas ainda não se vacinam. Entre as meninas, a taxa vem crescendo, e hoje cerca de 80% já receberam ao menos uma dose. Entre os meninos, porém, esse número é menor, cerca de 60%. É essencial continuar informando sobre a eficácia e segurança da vacina para que possamos, com o tempo, reduzir as doenças causadas pelo vírus”, alerta a professora doutora Luisa Lina Villa, chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Centro de Investigação Translacional em Oncologia (CTO) do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). A transmissão do vírus acontece principalmente por via sexual, por isso é sugerido que a vacina seja aplicada antes do início dessa fase, entre os 9 e 14 anos. Também é possível ocorrer a infecção pelo contato direto com regiões da pele ou mucosas infectadas. Quem deve se vacinar: Meninas e meninos de 9 a 14 anos e, até dezembro de 2025, de 15 a 19 anos; pessoas de 9 a 45 anos em condições clínicas especiais, como as que vivem com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea e pacientes oncológicos (imunossuprimidos); vítimas de abuso sexual; e pessoas portadoras de papilomatose respiratória recorrente (PRR). Para tirar dúvidas da população sobre a vacinação, o governo de São Paulo criou o portal Vacina 100 Dúvidas. A ferramenta aborda as 100 perguntas mais frequentes nos buscadores da internet, como efeitos colaterais, eficácia das vacinas, doenças imunopreveníveis e os perigos da falta de imunização. * Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior Fonte