Celão é absolvido em processo que levou à cassação na Câmara de Guará

O vereador Marcelo Celão, presidente da Câmara Municipal de Guará (SP), foi absolvido em processo de prevaricação que havia motivado a cassação do seu mandato. A decisão, proferida pela Justiça, encerra um capítulo polêmico na política local e reabre o debate sobre ética, responsabilidade administrativa e limites do poder de fiscalização da Casa Legislativa. Celão foi alvo de um processo por prevaricação após ser acusado de supostamente favorecer irregularidades em contratações e dispensas de licitação na Câmara, em especial em contratos de serviços de sanitização durante a pandemia de COVID‑19. Na época, a denúncia motivou operação da Polícia Civil, afastamento do vereador da presidência e instauração de procedimento de cassação na própria Câmara, que culminou na perda do mandato. Veja Também:PNRS no Vale do Paraíba: Pindamonhangaba lidera, mas consórcios são o futuro até 2030 Com a absolvição, o parlamentar volta a ter o nome limpo perante a Justiça, embora a questão política e institucional ainda seja alvo de discussão entre colegas de partido, oposição e a sociedade. A defesa de Celão sustentou que todas as contratações foram feitas dentro da legalidade, com acompanhamento de órgãos de controle e sem prejuízo efetivo aos cofres públicos, argumentos que foram acolhidos pela sentença.​ O caso de Celão se insere em um contexto mais amplo de investigações e processos de cassação na região, como o de outros vereadores de Guará envolvidos em esquemas de “rachadinha” e vantagem indevida, o que reforça a pressão por maior transparência e responsabilização no uso de cargos comissionados e recursos públicos. Apesar da absolvição judicial, a repercussão política permanece. Para parte da população, a decisão reforça a necessidade de fortalecer mecanismos de controle interno e de participação popular, enquanto apoiadores do vereador comemoram o retorno de Celão ao cenário político com o mandato restabelecido ou com possibilidade de disputa em novas eleições. Entre no grupo Vale em Ação WhatsApp

COVID‑19 e vírus Nipah: dois vírus, riscos muito diferentes

Quando se fala em ameaças virais globais, o SARS‑CoV‑2 (causador da COVID‑19) e o vírus Nipah costumam aparecer em listas de patógenos preocupantes, mas com perfis bem distintos em termos de transmissão, letalidade e impacto na sociedade. Enquanto a COVID‑19 se espalhou rapidamente pelo mundo, o Nipah permanece, por enquanto, restrito a surtos localizados, porém com potencial devastador. O que é o vírus Nipah? O vírus Nipah é um patógeno transmitido principalmente por morcegos‑frugívoros e pode passar para humanos via contato com animais infectados (como porcos) ou com secreções de pessoas doentes. Seu período de incubação varia de 4 a 21 dias, e a infecção costuma se manifestar como febre, dor de cabeça, mialgia e, em muitos casos, evolui para encefalite aguda e problemas respiratórios graves. A taxa de letalidade estimada fica entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade local de atendimento, o que o torna um dos vírus mais mortais já descritos. Veja Também:Vírus Nipah em crianças: riscos, sintomas e formas de prevenção Apesar disso, o Nipah ainda não gerou uma pandemia. Os surtos ocorreram principalmente na Ásia (Malásia, Singapura, Bangladesh, Índia), em contextos bem específicos, e não há vacina ou tratamento específico aprovado em larga escala. Isso significa que o risco global é alto, mas o alcance geográfico é limitado – por enquanto. A COVID‑19: transmissão rápida, letalidade menor O SARS‑CoV‑2, por outro lado, mostrou capacidade extraordinária de se espalhar por meio de gotículas respiratórias e superfícies contaminadas, inclusive por pessoas assintomáticas. Sua letalidade é significativamente menor que a do Nipah, mas a combinação de alta transmissibilidade e circulação global gerou uma pandemia que deixou milhões de mortes em todo o mundo, incluindo mais de 600 mil óbitos apenas no Brasil. No Brasil, o primeiro caso confirmado foi em 26 de fevereiro de 2020, em São Paulo, em um homem que havia retornado da Itália, onde a epidemia já estava em curso. Poucos dias antes, o país vivia o Carnaval, com milhões de pessoas em aglomerações em ruas, blocos e escolas de samba. Fomos alertados antes do Carnaval? Oficialmente, a confirmação do primeiro caso no Brasil ocorreu um dia após o fim do Carnaval de 2020, o que indica que, ao menos em nível nacional, o alerta formal veio tarde demais para mudar o calendário da festa. Naquele momento, o Ministério da Saúde reforçava medidas básicas de higiene e etiqueta respiratória, mas não havia ainda recomendações claras para cancelar grandes eventos. Em retrospectiva, muitos especialistas e órgãos como a Fiocruz passaram a destacar que grandes aglomerações, como o Carnaval, representam risco elevado para a disseminação de vírus respiratórios, inclusive da própria COVID‑19 em anos posteriores. Carnaval é mais “importante” que a saúde? O Carnaval é, sem dúvida, um marco cultural, econômico e turístico para o Brasil, movimentando bilhões de reais e envolvendo milhões de pessoas. No entanto, a pandemia mostrou que, em contextos de surto de doenças altamente transmissíveis, a prioridade deve ser a saúde pública: adiar ou cancelar grandes eventos pode salvar vidas e reduzir o colapso do sistema de saúde. A lição da COVID‑19 é que a festa pode esperar; o vírus, não. Fontes utilizadas na pesquisa: 📺 Acompanhe nossa Web TV no Portal Vale em Ação! Vale em Ação WhatsApp

Alta letalidade e ausência de vacina colocam o vírus Nipah sob monitoramento de autoridades internacionais

Jan Woitas / dpa / picturedesk.com (imagem de banco de imagens) Especialistas esclarecem os principais pontos sobre o vírus Nipah Alta letalidade e ausência de vacina colocam o patógeno sob monitoramento de autoridades internacionais diante do risco de uma nova pandemia O vírus Nipah, pouco conhecido do grande público, voltou ao noticiário internacional após a confirmação de dois casos na Índia. Ele foi identificado pela primeira vez em 1998 e chama atenção pela alta taxa de letalidade, que pode chegar a 75%, e pela ausência de vacina ou tratamento específico. Transmitida principalmente por morcegos frugívoros, o vírus é uma doença zoonótica emergente, e que também pode infectar outros animais e humanos. Segundo Alice Del Colletto, doutora em Ciências e coordenadora de Biomedicina da Estácio, a transmissão ocorre pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas ou seiva crua, e pelo contato direto entre pessoas, por meio de secreções respiratórias. A infecção pode variar de quadros leves até manifestações graves, como encefalite aguda. De acordo com Alice, os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos, podendo evoluir rapidamente para confusão mental, convulsões, coma e morte. “Embora o risco de uma pandemia seja considerado baixo, já que a transmissão entre humanos é limitada, o monitoramento é essencial, especialmente em regiões com surtos recorrentes, como partes do Sul e Sudeste da Ásia”, destaca. “No Brasil não temos registro da doença e contamos com sistemas de vigilância epidemiológica preparados para identificar rapidamente qualquer caso importado”, afirma Silvia Nunes Szente Fonseca, médica infectologista e docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica). De acordo com ela, o acompanhamento de viajantes vindos de áreas com surtos ativos e a capacidade de resposta do sistema de saúde contribuem para reduzir o risco de disseminação no país. A infectologista informa que, sem vacina ou tratamento específico, a prevenção continua sendo a principal estratégia. “Medidas simples, como higienização adequada das mãos, cuidado no consumo de alimentos, especialmente frutas, e a busca por atendimento médico diante de febre persistente associada a sintomas respiratórios ou neurológicos, sobretudo após viagens internacionais, são fundamentais”, orienta. Para as especialistas, informação de qualidade e vigilância constante são as principais ferramentas no enfrentamento de vírus emergentes. “O Brasil está atento e a população não precisa mudar sua rotina. O momento é de atenção responsável, não de alarme”, conclui Dra. Silvia.  Dra. Silvia Nunes Szente Fonseca, médica infectologista e docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica)Foto de divulgação. Alice Del Colletto, doutora em Ciências e coordenadora de Biomedicina da EstácioFoto de divulgação.

Audiência promove debate sobre campanha Setembro Amarelo

A campanha Setembro Amarelo de combate ao suicídio foi pauta de uma audiência pública realizada pela Câmara de Taubaté na quarta-feira, 10. A condução dos trabalhos foi dividida entre os vereadores Jessé Silva (Podemos) e Talita (PSB), autores do requerimento de convocação do debate. “Prezemos pelo diálogo, a informação é sempre importante. O Poder Legislativo tem a obrigação com a sociedade de abrir o espaço e colocar a estrutura da Casa para ser usada em prol da população. Setembro se destaca nessa questão, mas estamos aqui o ano todo, buscando promover ações para prevenir o suicídio”, afirmou Jessé. “A saúde mental não é assunto individualizado que se restringe a um consultório médico, é também um problema coletivo. Hoje vivemos uma epidemia do cansaço, e isso está relacionado a como nos organizamos em sociedade. Quero trazer a reflexão sobre como a sociedade se organiza em relação à mão de obra e como isso prejudica especialmente as mulheres, que têm além das 40 ou 44 horas semanais, ainda têm todos os deveres domésticos. Além de pensar na remediação, precisamos pensar na prevenção”, pontuou Talita. A psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde, Claudia Fabiana de Jesus, ressaltou a importância da escuta e do acolhimento de pessoas em sofrimento. Lembrou que Taubaté tem um grupo de prevenção ao suicídio, criado em 2018, que realiza visitas por meio de notificações sobre pessoas que tentaram suicídio. Acrescentou que nos três Centros de Apoio Psicossocial (Caps) há grupos que atendem pessoas neste contexto.  “As pessoas têm medo de falar sobre o assunto. Até mesmo profissionais como professores e os da área da saúde. O preconceito é impeditivo da prevenção”, disse Claudia. A psicóloga da Universidade de Taubaté, Mariana Vilela Abrantes, ressaltou a iniciativa desenvolvida pela Pró-Reitoria Estudantil, voltada aos alunos, no Núcleo de Bem-Estar e Saúde Mental, chamada de Projeto de Apoio Psicossocial (Paps). “Depois da pandemia, a incidência de suicídio e doenças mentais aumentou muito. Fazemos um espaço de escuta para alunos e professores. A ideia é falar mais de saúde mental e dar apoio.” A neuropsicóloga Silvia Marcondes ressaltou o preconceito que impede as pessoas de procurarem ajuda. Ela afirmou que a prevenção ao suicídio consiste em tirar os olhos das telas e olhar pessoas, se relacionar. “Como analista existencialista ou neuropsicóloga, digo às pessoas: vamos trazer para fora essa energia, essa dor, vamos compartilhar para que isso possa trazer um ajuste para que você consiga valorizar a sua vida e ver o valor que ela tem tanto para você quanto para as pessoas que te cercam.” O médico psiquiatra Iago Fernandes de Almeida relatou sua experiência pessoal com problemas de depressão e ansiedade diante da sensação de não pertencimento, por conta da demora para receber diagnósticos de autismo e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). “Prevenção é vida e deve acontecer durante o ano todo. Segundo a última estimativa feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 727 mil pessoas tiraram a própria vida. Precisamos interpretar esses números não como estatísticas distantes, mas como pessoas que deixaram lacunas irreparáveis nas famílias”, afirmou. Os vereadores Nicola Neto (Novo), Nunes Coelho (Republicanos) e Rodson Lima Bobi (PRD) participaram da audiência. O vídeo está disponível no canal da TV Câmara Taubaté no Youtube.

Taubaté inaugura mais sete novos leitos de UTI adulto no Hospital Municipal

A partir desta segunda-feira (25), o Hmut (Hospital Municipal Universitário de Taubaté) passa a contar com mais sete leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto, destinados a pacientes em estado grave de saúde, de ambos os sexos. A partir desta segunda-feira (25), o Hmut (Hospital Municipal Universitário de Taubaté) passa a contar com mais sete leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto, destinados a pacientes em estado grave de saúde, de ambos os sexos. Com a inauguração das novas vagas, o espaço passa a contar com 17 leitos para retaguarda hospitalar às Unidades de Pronto Atendimento do município. A previsão da Prefeitura de Taubaté é de que, em poucos dias, mais três leitos sejam implantados, ampliando assim a oferta de vagas. Atualmente, os leitos estão com 100% de ocupação evidenciando a necessidade de mais vagas. Pacientes internados em outras unidades serão removidos para o Hmut já a partir desta segunda-feira. Para o Secretário de Saúde, Dr. Carlo Guilherme Silveira e Lima, a inauguração dos leitos na UTI adulto tem como objetivo acolher com mais qualidade e assertividade a população e a ampliação da oferta “está em consonância com o quê foi pactuado com a Secretaria Estadual de Saúde”. A UTI adulto é um espaço de tratamento intensivo, de atendimento especializado, destinado a pacientes maiores de 18 anos, com instalações especiais que contam com equipamentos como ventiladores mecânicos, monitores cardíacos, bombas de infusão, entre outros; além de equipe multiprofissional com médicos intensivistas, enfermeiros e outros profissionais especializados para cuidar de casos graves e críticos. Além da busca por recursos para o Hmut, outras importantes mudanças aconteceram este ano na unidade, com a retomada dos serviços paralisados desde 2023, ampliação no número de exames e cirurgias e implantação de nova UTI neonatal para atendimento aos bebês e acolhimento às famílias, inaugurada em julho.

Brasil em 2025: Entre desafios e avanços, o caminho para um futuro sustentável

O Brasil em 2025 enfrentará um cenário econômico e social complexo, marcado por desafios e também por sinais de resistência. A economia projeta um crescimento moderado, com uma taxa prevista em torno de 2,5%, impulsionada sobretudo pela agropecuária e pelos serviços. Entretanto, esse crescimento ainda é acompanhado por uma inflação persistente acima da meta, além de juros elevados que dificultam investimentos produtivos para muitas empresas. No mercado de trabalho, há avanços importantes, com a geração de empregos formais e redução do desemprego ao menor índice desde 2014. Esse dinamismo tem sustentado o consumo interno, porém traz pressão inflacionária no setor de serviços. O desafio para o país é transformar essas conquistas pontuais em um ciclo sustentável de crescimento, que depende da combinação equilibrada de políticas fiscais responsáveis, do controle da inflação e do incentivo à produtividade. Além das questões econômicas, o Brasil também enfrentou desafios políticos e sociais que influenciam o ambiente de negócios e as expectativas para o futuro próximo. A pandemia e suas consequências ainda se repercutem em vários setores, exigindo ajustes contínuos e estratégias que promovam inclusão e desenvolvimento. Em resumo, o momento exige cautela, equilíbrio e planejamento para que o país possa superar obstáculos históricos e trilhar um caminho de crescimento mais sólido e equitativo, com atenção especial à estabilidade macroeconômica e à melhoria da qualidade de vida da população. Isso reflete uma realidade de transição, onde os avanços coexistem com desafios que precisam ser enfrentados com responsabilidade e visão de longo prazo.

EUA cancelam vistos da esposa e filha do ministro Padilha

Os Estados Unidos cancelaram os vistos da esposa e da filha, de 10 anos, do ministro da Saúde do governo Lula, Alexandre de Padilha. As duas estão no Brasil e foram informadas do cancelamento por meio de comunicados enviados pelo Consulado Geral dos EUA em São Paulo nesta quinta-feira, 15 de agosto de 2025. A decisão faz parte de uma série de avaliações aplicadas pelo governo norte-americano contra membros do Ministério da Saúde brasileiro e ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) envolvidos no programa Mais Médicos, que, segundo os EUA, estaria vinculado a um esquema de exploração de mão de obra médica cubana por trabalho empregado. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, a revogação dos vistos ocorreu devido a “informações históricas” de que a esposa e a filha do ministro não seriam mais elegíveis para manter seus vistos. Alexandre Padilha, por sua vez, não foi afetado diretamente porque seu visto foi vencido desde 2024. O Programa Mais Médicos, criado em governos anteriores e retomado no mandato atual, visa levar profissionais de saúde às regiões carentes do Brasil, incluindo áreas periféricas e interiores. Porém, segundo o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, o programa teria usado a OPAS como intervenção para implementar uma política que explorava médicos cubanos e beneficiasse financeiramente o regime cubano, burlando avaliações dos EUA. Em resposta às avaliações, o ministro Padilha utilizou as redes sociais para defender o programa, afirmando que ele “sobreviverá aos ataques injustificáveis” porque “salva vidas” e tem a aprovação da população brasileira. O presidente Lula também manifestou apoio, ressaltando o respeito do Brasil em relação a Cuba, que sofre um bloqueio econômico há mais de 70 anos. As análises incluem ainda outros funcionários envolvidos no planejamento e execução do programa Mais Médicos, como Mozart Julio Tabosa Sales e Alberto Kleiman, além de ex-membros da OPAS.

Como o Butantan se tornou o maior produtor da vacina Influenza no Brasil e se prepara para pandemias

Desde 2013, mais de 560 milhões de doses de vacina da gripe já foram produzidas; Butantan ajudou no combate da H1N1 em 2010 e desenvolve vacina contra a gripe aviária Em produção pelo Instituto Butantan desde 2013, após transferência de tecnologia da farmacêutica francesa Sanofi, a vacina Influenza se tornou o carro-chefe e o maior objeto de estudo da instituição. Hoje, 90 milhões de doses são produzidas anualmente para atender à Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Para além da versão trivalente sazonal, o Butantan se dedica a estudar vacinas quadrivalentes, contra cepas pandêmicas da influenza e vacinas com adjuvantes, visando preparar o país para epidemias de gripe e desenvolver produtos cada vez mais eficientes. LEIA TAMBÉM: Maior estudo clínico do Butantan, vacina da dengue ajuda a estruturar resposta rápida a epidemias Tudo isso exige uma infraestrutura adequada para a realização de ensaios clínicos, etapa em que a segurança e eficácia dos produtos são avaliados em seres humanos. Este trabalho fica a cargo da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Butantan: dos mais de 30 estudos clínicos já coordenados pela área, 10 eram relacionados à influenza. A experiência do Butantan com a vacina da gripe data de 1999, quando foi assinado o acordo de transferência tecnológica com a Sanofi, encabeçado pelo então diretor Isaias Raw. De alta complexidade, o processo foi feito por etapas e levou mais de 10 anos para ser concluído. O Butantan começou recebendo o imunizante pronto da Sanofi para inspecionar, fazer o controle de qualidade, rotular, embalar e entregar ao Ministério da Saúde. Com o passar dos anos, a instituição foi assumindo o envase, depois a formulação da vacina e, por fim, a produção dos três monovalentes em fábrica própria. “Nos primeiros anos, o local de produção registrado era a fábrica da Sanofi, na França. Após a conclusão da transferência de tecnologia, a fábrica do Butantan recebeu a certificação da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] para começar a operar e produzir a vacina Influenza do começo ao fim”, afirma o gerente de Desenvolvimento e Inovação de Produtos do Butantan, Paulo Lee Ho, que acompanhou de perto esse processo. Enquanto o Butantan desenvolvia seu processo produtivo, parte das vacinas fornecidas ao Ministério da Saúde eram produzidas no Brasil, e a outra parte na França. O Instituto começou fornecendo 6,3 milhões de doses em 2013; em apenas três anos, a produção aumentou mais de sete vezes, chegando a 46 milhões. Em 2023, o Butantan atingiu a capacidade produtiva necessária para fornecer 100% das doses da campanha – ou seja, 90 milhões de doses. LEIA TAMBÉM: Butantan recebe aprovação da Anvisa para início de testes da vacina contra a gripe aviária “Foi se estabelecendo não só uma estrutura fabril, mas uma estrutura piloto e laboratorial, e isso gerou a incorporação das Boas Práticas de Laboratório, de Fabricação e Clínicas, conforme esses conceitos avançavam internacionalmente”, aponta a coordenadora de Redação Médica do Butantan, Maria da Graça Salomão, que participou dos estudos da Influenza. Como a vacina da Sanofi já havia passado com sucesso por ensaios clínicos de fase 1, 2 e 3, após completar a transferência de tecnologia e assumir sua fabricação, o Butantan conduziu estudos de fase 4, entre 2013 e 2015, por exigência da Anvisa. Os pesquisadores avaliaram a vacina em adultos saudáveis, idosos e pacientes receptores de transplante renal. “Após esse período, houve um entendimento por parte da Anvisa de que não era necessário repetir os ensaios clínicos todo ano enquanto a população já era vacinada, e que a vigilância pós-comercialização era o melhor instrumento de avaliação de segurança das atualizações de cepas”, explica a gerente de Farmacovigilância do Butantan Maria Beatriz Lucchesi. A cada campanha, a vacina é atualizada com as cepas mais circulantes do vírus influenza, de acordo com diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar dessa decisão, os estudos não pararam. Pelo contrário: à medida que se transformava no principal fornecedor da vacina da gripe no Brasil, o Butantan continuou investindo em outras pesquisas para aprimorar o imunizante, chegando a conquistar a pré-qualificação da OMS em 2021 e desenvolver vacinas contra cepas potencialmente pandêmicas. O Instituto também participou do combate à pandemia de H1N1, em 2009.  Conheça mais sobre os desdobramentos dos estudos envolvendo a vacina Influenza no Instituto Butantan: Pandemia de H1N1 Em 2009, o mundo enfrentou a pandemia de H1N1, doença que ficou conhecida como gripe suína e atingiu mais de 70 países. De acordo com a OMS, o surto começou com a propagação de um vírus influenza tipo A originado de uma cepa animal e não relacionado aos vírus H1N1 sazonais. No Brasil, o Butantan esteve à frente do combate à doença, produzindo a vacina com a cepa pandêmica – já como parte do processo de transferência tecnológica do imunizante da Sanofi. Em 2010, o PNI adquiriu 83 milhões de doses da vacina. Na época, o Instituto investigou a segurança e a imunogenicidade da vacina H1N1 com diferentes adjuvantes (substâncias usadas para potencializar a resposta imune). Também foram feitos estudos para avaliar o imunizante em públicos vulneráveis, como pacientes com doenças crônicas, imunossuprimidos, idosos e gestantes – grupos que concentravam a maioria das mortes decorrentes da doença. A vacinação ajudou a conter os casos de gripe suína e levou a OMS a decretar o fim da pandemia em agosto de 2010. No período da emergência sanitária, foram confirmados oficialmente 18.500 mortes por H1N1 no mundo, mas um estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos estima que podem ter ocorrido entre 151.700 e 575.400 óbitos. No Brasil, foram registrados quase 60 mil casos e mais de 2 mil mortes. Reconhecimento da OMS Em 2016, o Butantan submeteu um pedido à OMS para a inclusão da vacina Influenza em sua lista de imunizantes pré-qualificados. A organização solicitou um estudo de não inferioridade entre a versão do Butantan e a da Sanofi. Foram anos de trabalho da equipe de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância para atender às exigências do órgão e conquistar esse título internacional. A OMS aprovou a pré-qualificação do imunizante em 2021 – uma validação

Taubaté anuncia saída de Rosana Gravena da Secretaria de Saúde: fim de um ciclo e expectativas por nova gestão

A Prefeitura de Taubaté confirmou oficialmente a saída da médica Rosana Gravena do cargo de secretária de Saúde, nesta quarta-feira (16). A decisão marca o encerramento de sua gestão que teve início em janeiro de 2023, quando assumiu a secretaria por convite do prefeito Sérgio Victor (Novo). Rosana Gravena, que acumulava mais de 30 anos de experiência na medicina pública e privada, já havia sido secretária de Saúde em Jacareí e vice-prefeita daquela cidade antes de sua nomeação em Taubaté. Durante seu mandato, liderou ações como a captação de recursos para o Hospital Municipal (HMUT) e a descentralização dos exames laboratoriais, buscando ampliar o acesso e a eficiência dos serviços de saúde no município. Apesar da confirmação da saída, a Prefeitura não detalhou os motivos que levaram à decisão, limitando-se a destacar que a mudança faz parte de um processo de reorganização na área da saúde e agradeceu a colaboração de Rosana na condução da pasta durante esse período. Fontes locais indicam que a secretária vinha enfrentando críticas e pressão de vereadores nos últimos meses, o que teria influenciado a saída. A gestão municipal garantiu que a transição será feita de forma responsável, para que os serviços públicos essenciais não sofram descontinuidade. O nome do novo secretário será anunciado nos próximos dias, e a expectativa da população é que a nova liderança traga inovações e melhorias estruturais diante dos desafios enfrentados, como a ampliação do atendimento e a qualificação das unidades de saúde públicas. Taubaté, com cerca de 300 mil habitantes, enfrenta demandas crescentes na área da saúde, reforçadas pelo impacto da pandemia de COVID-19. A comunidade local acompanha atentamente as mudanças, cobrando manutenção e avanços nas políticas públicas para garantir o acesso de qualidade aos serviços essenciais. O futuro secretário de Saúde tem o desafio de consolidar os avanços promovidos, enfrentar as críticas e proporcionar uma gestão mais eficiente, transparente e alinhada às necessidades da população do Vale do Paraíba.

InfoGripe: casos de SRAG entram em queda no país

A última atualização do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada na quinta-feira (10), revela que o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) parou de crescer ou está em queda na maior parte do país. O estudo é referente à Semana Epidemiológica 27, de 29 de junho a 5 de julho. O cenário reflete a interrupção do crescimento ou diminuição das hospitalizações por vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças pequenas e de influenza A em idosos.  Apesar da tendência de redução dos casos, ainda existem locais com crescimento pontual em algumas faixas etárias e os números de hospitalizações por SRAG ainda são considerados altos. Com isso, a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do InfoGripe, reforça a importância das medidas preventivas: “É importante que todos estejam em dia com a vacina contra a gripe, continuem tomando alguns cuidados e mantendo a etiqueta respiratória, como fazer isolamento ou sair de casa usando máscaras em casos de aparecimento de sintomas de gripe, ou resfriado, além de usar máscara em postos de saúde, locais fechados e com muita aglomeração de pessoas”, ressalta. SRAG permanece elevada em 25 estados O Boletim aponta incidência elevada de SRAG em 25 estados, com tendência de aumento entre idosos, especialmente nos estados do Nordeste, como Paraíba e Sergipe, associada à Influenza A. Já em Roraima, observa-se aumento de casos entre crianças pequenas, relacionado ao VSR. Observa-se ainda que a incidência de SRAG em crianças pequenas permanece elevada na maioria dos estados, com exceção do Tocantins e Distrito Federal. Em idosos, os casos seguem em níveis de moderado a muito alto em todos os estados da região Centro-Sul, bem como em parte do Norte (Amapá, Rondônia e Roraima) e Nordeste (Alagoas, Sergipe, Maranhão e Paraíba). Além disso, 20 capitais ainda apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Covid-19 A análise também evidencia estabilidade nos casos de SRAG causados por Covid-19 na maior parte do país. Porém, há um leve crescimento no estado do Rio de Janeiro. Por isso, a pesquisadora enfatiza a necessidade de manter o calendário vacinal atualizado. “Pedimos que as pessoas verifiquem se estão em dia com a vacina contra a Covid-19, lembrando que idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço a cada seis meses”. Cenário nacional Ao longo do ano epidemiológico de 2025, já foram notificados 126.828 casos de SRAG, sendo 52,5% com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Dentre os casos positivos: Vírus Prevalência (%) Vírus Sincicial Respiratório (VSR) 45,8% Influenza A 26,8% Rinovírus 22,2% Sars-CoV-2 (Covid-19) 7,6% Influenza B 1,1% Fonte: Brasil 61