Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 2026 – Wallace Alves Palhares, presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói, foi exonerado do cargo de assistente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A demissão foi formalizada pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), primeiro vice‑presidente em exercício da Casa, e publicada no Diário Oficial Legislativo na quinta‑feira (5). A decisão ocorre em meio à polêmica envolvendo o enredo da escola que homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí.
A Acadêmicos de Niterói desfilará no domingo (15) com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, abrindo a primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Sambódromo. O tema exalta a trajetória política e sindical de Lula, em ano de eleição presidencial, e já gerou críticas de partidos da oposição, que questionam o uso de recursos públicos em homenagem a um chefe de Estado candidato à reeleição.
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Palhares ocupava o cargo de assistente na Comissão de Transportes da Alerj desde 2025, ligado ao gabinete do deputado Dionísio Lins (PP), vice‑líder do governo Cláudio Castro (PL) na Casa. Segundo dados do Portal da Transparência da Alerj, em janeiro de 2026 ele recebeu R$ 7.961,34, valor que inclui remuneração líquida de R$ 2.353,21 e benefícios. Em abril de 2025, o montante era de R$ 2.782,56, o que indica um aumento expressivo em menos de nove meses.

A assessoria de Delaroli afirmou que as exonerações seguem o “curso natural da transição na presidência” e visam “aprimorar a gestão e, consequentemente, os serviços prestados à população do Estado do Rio de Janeiro”. Até a publicação desta reportagem, a Acadêmicos de Niterói não se manifestou sobre o desligamento de seu presidente.
A escolha do enredo de homenagem a Lula provocou reações no campo político. O partido Novo acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para tentar impedir o uso de dinheiro público na montagem do desfile, alegando desvio de finalidade. Em 2 de fevereiro, a área técnica do TCU recomendou o bloqueio do repasse de R$ 1 milhão destinado à Acadêmicos de Niterói, parte dos R$ 12 milhões liberados pela Embratur e pelo Ministério da Cultura à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que repassa o valor de forma equânime entre as 12 agremiações do Grupo Especial.
O governo do Rio, comandado por Castro, é o maior patrocinador do Carnaval carioca. Em 29 de janeiro, o Estado oficializou o repasse de R$ 40 milhões às escolas, recursos que também financiam a operação do Sambódromo. A Prefeitura do Rio, sob gestão de Eduardo Paes (PSD), repassou R$ 25,8 milhões à Liesa. A prática de repasses públicos às escolas de samba é recorrente e independe do governo em exercício, mas neste ano ganhou contornos políticos devido ao enredo da Acadêmicos de Niterói.
A demissão de Palhares na Alerj reforça o debate sobre a relação entre poder público, Carnaval e campanha eleitoral. Enquanto o TCU analisa o caso, a escola mantém a preparação para o desfile, que terá Lula como homenageado em um dos momentos mais visíveis do ano político brasileiro.



