Nova Rotina, Nova Identidade: O processo invisível de quem decide Empreender

O processo invisível de quem decide Empreender

O processo invisível de quem decide Empreender. Um assunto que ninguém costuma falar é sobre o quão difícil, doloroso e desafiador é sair do CLT e se edificar como empreendedor (a).
Sempre que posso converso sobre esse tópico com amigos, colegas empreendedores e pessoas que sonham em deixar a “segurança” do trabalho com registro em carteira para fazer o que se ama, ou colocar em prática alguma habilidade que ninguém imagina que essa pessoa possua.
Quando estamos a serviço de uma instituição ou empresa, temos uma rotina pré-estabelecida, com horário de entrada, saída, alimentação, intervalos. As metas, processos e formas de execução do trabalho são designadas por uma equipe, ou em casos em que se é líder, coordenador ou supervisor, você está inserido na construção desse cronograma.
De maneira geral, temos a impressão de que as coisas ficam mais fáceis.


A decisão de empreender exige transformação.


Exige atenção no âmbito estrutural, emocional e interno.
Estabelecer uma nova rotina para realizar suas atividades, sem se perder no caminho gera uma reviravolta em nós.
O romantismo criado sobre a visão da liberdade adquirida ao se tornar empreendedor é ilusória, porque liberdade sem organização vira desordem, bagunça, estresse e frustração.
Você não tem chefe, não tem ponto eletrônico, não tem alguém te cobrando a entrega de um ou outro relatório, mas se ao longo do dia você não agir com maturidade, estratégia e foco no que precisa executar, o dia termina com a sensação de improdutividade, mesmo tendo feito uma lista de tarefas imensa.
Os resultados e tudo o que envolve o crescimento do negócio são responsabilidade única e estritamente sua no inicio de tudo.
Aprender a se cobrar sem se sabotar, criar constância mesmo sem motivação, trabalhar duro sem expectadores ou bonificação por ter feito algo com qualidade e excelência e lidar com “o medo de dar certo”, vai doer.
A nova identidade de estrategista, líder e tomador de decisão em tempo integral requer crescimento emocional.
Me recordo de conversar com uma amiga também empreendedora e ela me dizer: “Eu estou exausta, porque não consegui ainda organizar minha nova vida.”
E eu me lembrei do quanto também foi pesado para mim essa mudança, o quanto desapegar de quem eu era como funcionária de uma empresa doeu, me rasgou por dentro. Nas sessões de terapia eu chorava porque no meu entendimento, eu tinha que continuar acordando no mesmo horário que ia para a empresa, tinha que manter aquela rotina como se ainda vivesse aquela rotina.


Um belo dia ela me disse: “Angélica, agora você irá restabelecer sua rotina, vai entender como o seu corpo e mente funcionam na sua nova vida, com os novos desafios e atividades do dia a dia. Tenha calma, vamos viver um dia de cada vez e sentir o que se encaixa melhor nesse momento sem esquecer de viver as coisas que te fazem bem e são inegociáveis para você.”


Esse diálogo com ela virou a famosa chave interna na minha cabeça e coração, e eu fui me readaptando ao mundo tal como uma criança que está aprendendo a andar.
E sinceramente, ainda bem que eu não desisti.
As coisas foram acontecendo, eu fui me entendendo nessa nova pele, no novo contexto de empresa que estou vivendo e construindo.
Sair do CLT não é somente uma decisão financeira, é uma decisão de assumir a responsabilidade total pela própria vida profissional e seus riscos.
Quando a nova rotina se estabelece, você para de sobreviver e começa a crescer. Confie, organize e continue!

Leia também: A ilusória sensação de recomeço que todo início de ano transmite.

Angélica Rosa
Empreendedora

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