O presidente Lula normaliza o inaceitável e comete um deslize grave ao enaltecer, em julho de 2024, durante entrega de casas em Recife, a história de Felipe, um catador que “casou com a menina de 12 anos” e segue “apaixonado há 28 anos”. Em vez de focar no benefício habitacional, transformou um caso de abuso em conto romântico, ecoando discursos ultrapassados que romantizam casamentos infantis.
A fala onde Lula normaliza o inaceitável
Na cerimônia do Minha Casa Minha Vida, Lula disse: “Eu fui entregar a chave para o Felipe, e ele me disse que tem 10 filhos, mas era para ter 13. Ele casou com a menina [a esposa], e ela tinha 12 anos. E ele ainda está apaixonado por ela, há 28 anos”. Tal comentário, proferido por Lula normaliza o inaceitável com menina de 12 anos, minimiza a vulnerabilidade da crianças e ignora leis como o ECA, que protege menores de 14 anos de qualquer relação sexual consentida ou não.
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Paralelo com o absurdo do TJMG
Pior: essa fala ressoa com a decisão recente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que absolveu um traficante de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos. O tribunal alegou “consentimento” da vítima e da família, ignorando o Código Penal, que presume estupro de vulnerável em casos com menores de 14 anos, independentemente de “acordo”. Tal precedente judicial, somado ao elogio presidencial, cria um terreno fértil para impunidade, onde abusadores ganham foros de heróis.
O risco para a infância
Esses episódios expõem uma falha sistêmica: Lula normaliza o inaceitável e tribunais relativizam crimes contra crianças em nome de “cultura” ou “família”. Em 2026, com dados do UNICEF mostrando 12 milhões de meninas casadas antes dos 18 no Brasil, é hora de repudiar veementemente. Lula errou feio, e o TJMG agravou. Proteção à infância exige rejeição total a narrativas que romantizam o abuso.
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