Dois presídios de Tremembé (SP), no coração do Vale do Paraíba, suspenderam visitas neste sábado (3) e domingo (4 de janeiro de 2026) após suspeita de intoxicação alimentar coletiva entre detentos. A medida emergencial afeta a Penitenciária Masculina I (P1 Dr. Tarcizo Leonce Pinheiro Cintra), que abriga 2.037 presos, e a Penitenciária Feminina II, com 673 detentas, totalizando mais de 2.700 internos impactados diretamente. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) confirma que todos permanecem conscientes e sob atendimento médico interno, sem necessidade de remoções hospitalares até o momento.
Os sintomas gastrointestinais leves surgiram simultaneamente nas duas unidades na sexta-feira (2), levando à interrupção imediata das visitas para priorizar investigações sanitárias e assistência aos afetados. Equipes médicas das próprias penitenciárias realizam monitoramento contínuo, com coleta de amostras alimentares encaminhadas para análise laboratorial urgente. A SAP reforça que não há registros de complicações graves ou óbitos, mas mantém estado de alerta máximo para evitar propagação.
A Penitenciária P1, localizada no bairro Vista Alegre, é conhecida nacionalmente como “presídio dos famosos”, tendo abrigado figuras como o cantor Ferrugem e o ex-governador Sérgio Cabral. Já a Feminina II, no Jardim das Acácias, concentra detentas de regimes fechado e semiaberto. O complexo de Tremembé responde por cerca de 12 unidades carcerárias no município, que possui população prisional superior a 15 mil pessoas.
Famílias desesperadas buscam informações desde a manhã de hoje. A SAP ativou canais exclusivos:
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“Estamos acompanhando cada caso individualmente e garantimos total transparência”, informou a pasta em nota. Visitas devem retornar na próxima semana, condicionadas aos laudos sanitários.
Este não é o primeiro episódio no sistema prisional paulista. Em dezembro de 2025, a Penitenciária II de Sorocaba suspendeu visitas após intoxicar 200 presos por contaminação em arroz. Tremembé já registrou crises hídricas e rebeliões em 2024. Especialistas em segurança alimentar apontam falhas recorrentes na armazenagem e cozimento em massa, agravadas pela superlotação crônica (120% de ocupação média). O Ministério Público de SP acompanha, podendo instaurar inquérito civil.
Taubaté, Tremembé integra a malha carcerária que emprega centenas de servidores locais. Moradores temem impactos econômicos indiretos, já que visitas movimentam comércio próximo. Sindicatos de agentes penitenciários cobram melhorias urgentes na infraestrutura alimentar, enquanto ONGs de direitos humanos alertam para condições desumanas.
A SAP anunciou inspeções ampliadas em todos os 12 presídios de Tremembé, com reforço de nutricionistas e microbiologistas. Governador Tarcísio de Freitas foi informado e determinou auditoria externa. Para o sistema paulista, que abriga 240 mil presos, casos como este reforçam debate sobre privatização parcial das cozinhas industriais.





