O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou em entrevista recente que uma punição sumária aos parlamentares envolvidos no motivo que paralisou o Congresso não seria a medida correta. Apesar do posicionamento, Motta deixou claro que é favorável a que os deputados que extrapolaram, ocupando o plenário por dois dias seguidos, sejam responsabilizados de maneira justa e com rigor, observando o devido processo legal.
O motim, protagonizado em grande parte por deputados bolsonaristas, bloqueou as atividades legislativas para pressão por pautas relacionadas à anistia, fim do foro privilegiado e pelo impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. A ocupação da Mesa Diretora e a transferência dos trabalhos geraram forte evidência da direção da Casa, que encaminhou os casos para a Corregedoria da Câmara, a fim de analisar as denúncias.
Hugo Motta destacou que, embora compreenda as desvantagens que os parlamentares sentem em relação às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), não se podem concordar com os atos que extrapolam os limites do razoável. Para ele, o rigor deve ser “pedagógico”, garantindo a ordem e o respeito às instituições sem atropelos.
O presidente da Câmara tomou medidas importantes nos últimos dias, como o pedido de afastamento de 14 deputados envolvidos no motivo, que agora aguardam a análise do Conselho de Ética. Entre os parlamentares citados estão Marcos Pollon, Marcel van Hattem, Zé Trovão e outros nomes ligados ao PL, Novo e PP.
O cenário atual revela uma crise institucional latente, com choques entre Legislativo, Judiciário e a polarização política, em que Motta se coloca na linha de busca por equilíbrio, rejeitando tanto o autoritarismo quanto a impunidade.
A expectativa é que o processo de apuração siga seus trâmites regimentais, reverta tanto o direito à ampla defesa dos parlamentares quanto à soberania das decisões da presidência da Câmara. Para Motta, o Brasil vive um momento atípico que exige responsabilidade e respeito às normas para evitar o agravamento da crise política.