Nos últimos meses, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, tem sido alvo de críticas e questionamentos sobre os gastos públicos relacionados às suas atividades oficiais. Circula nas redes sociais a informação de que Janja teria gasto R$ 63 milhões desde janeiro de 2023, valor que inclui desde passagens aéreas até reformas e eventos culturais. No entanto, uma análise detalhada dos dados oficiais mostra que essa cifra é amplamente distorcida e merece contextualização.
Desconstruindo o valor de R$ 63 milhões
O montante de R$ 63 milhões atribuído à primeira-dama foi divulgado por um site chamado “Janjômetro”, mas inclui despesas que não são diretamente da primeira-dama, como:
- R$ 33,5 milhões em patrocínios para o festival “Janjapalooza”, evento que integrou a presidência brasileira do G20, com recursos da usina de Itaipu e da Petrobras. Este valor não é gasto pessoal de Janja, mas investimento em evento oficial do governo.
- R$ 26,8 milhões em reformas e compra de móveis para residências oficiais da União, escolhidos por Janja, mas que pertencem ao patrimônio público. A Presidência esclareceu que esses gastos são necessários para manutenção dos prédios públicos e não despesas pessoais.
- R$ 2 milhões em hospedagem em hotel de luxo na Índia, parte de viagem oficial da comitiva presidencia.
- R$ 1.093 na compra de uma gravata em Portugal, adquirida com recursos próprios da primeira-dama, sem uso de dinheiro público.
- R$ 216,8 mil em hospedagem para Lula, Janja e equipe de segurança em hotel em Brasília, devido à falta de habitabilidade da residência oficial, um gasto que envolve toda a comitiva presidencial e não apenas Janja.
Viagens oficiais e custos reais
Janja participou de diversas viagens internacionais como integrante da comitiva presidencial, designada oficialmente pelo presidente Lula. Os gastos com passagens aéreas e hospedagem da primeira-dama são menores do que os valores divulgados:
- Ida à Olimpíada de Paris: R$ 83.616,44 em passagens aéreas para Janja, sem custos com hospedagem, que foi feita na embaixada brasileira.
- Viagem ao Catar: R$ 1.853,74 em passagem aérea de Riad a Dubai para Janja, com os demais trechos feitos em aeronave oficial. A comitiva, porém, teve custos de cerca de R$ 280 mil para assessores e policiais federais.
- Viagem a Nova York para a ONU: R$ 43.449,53 em passagens aéreas.
A Presidência reforça que Janja não recebe diárias, pois não é servidora pública, e que sua presença nas viagens integra agendas oficiais ligadas ao Ministério das Mulheres e outros compromissos governamentais.
Contexto orçamentário e controle fiscal
O orçamento da Presidência da República para 2025 é de aproximadamente R$ 35,7 bilhões, com despesas empenhadas de cerca de R$ 2,4 bilhões até o momento. O governo anunciou uma contenção de gastos de R$ 31,3 bilhões no orçamento geral, reforçando a necessidade de rigor fiscal em todas as áreas, inclusive na estrutura da primeira-dama.
A Lei Orçamentária Anual prevê superávit primário de R$ 14,5 bilhões e exige transparência e controle no uso dos recursos públicos, especialmente em despesas discricionárias como as da Presidência e seus órgãos vinculados.
Embora a direita política defenda a austeridade e o uso responsável dos recursos públicos, a análise dos dados oficiais mostra que os gastos atribuídos à primeira-dama Janja são frequentemente exagerados e descontextualizados. A maior parte das despesas apontadas está relacionada a eventos oficiais, manutenção do patrimônio público e viagens integradas à comitiva presidencial, não a gastos pessoais.
A transparência e o controle rigoroso dos gastos públicos são essenciais para manter a confiança da população, mas é fundamental basear críticas em informações precisas e contextualizadas, evitando distorções que possam prejudicar o debate democrático e a imagem das instituições.
Esta matéria foi elaborada com base em dados oficiais do Portal da Transparência, declarações da Presidência da República.