O Museu Caiçara realiza a abertura de uma exposição do projeto Memória Caiçara – Acervo de um Povo neste sábado, 11, a partir das 14h.
O evento, com entrada gratuita, ocorre na sede da instituição, localizada no interior do Projeto Tamar, em Ubatuba, e apresenta o resultado de um processo de conservação de documentos sobre as comunidades tradicionais do litoral paulista.
A iniciativa foi viabilizada pelo Edital Fomento CultSP ProAC 37/2024 e contemplou etapas de conservação física, digitalização e educação patrimonial.
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Projeto Memória Caiçara – Acervo de um Povo
A base deste acervo originou-se nas pesquisas e registros sonoros e visuais iniciados pela pesquisadora Kilza Setti na década de 1960.
Pioneira na documentação do Fandango Caiçara e autora da obra de referência Ubatuba nos Cantos das Praias, Setti sistematizou décadas de estudos sobre a música e o cotidiano local.
O projeto Memória Caiçara – Acervo de um Povo ganhou corpo ao ser selecionado pelo programa Petrobras Cultural na edição de 2006/2007, contando com o apoio do Ministério da Cultura e do Instituto Moreira Salles para a organização dos materiais.
O conjunto documental reúne gravações de músicas tradicionais, cantos de trabalho, rezas e entrevistas com mestres da cultura caiçara, além de registros fotográficos do artesanato, da pesca e de festas religiosas. Todo o material foi catalogado e digitalizado para compor uma base de dados que permite a consulta tanto presencial quanto online.
Para além da guarda de materiais históricos, a execução do projeto focou na formação de jovens das comunidades locais, capacitados para atuar como pesquisadores de suas próprias referências culturais.
Essa abordagem buscou promover a valorização da identidade litorânea e a compreensão de que as tradições caiçaras permanecem em constante adaptação.
A revitalização recente do acervo, impulsionada por novos editais em 2025, garante a continuidade do centro de referência como espaço de memória viva no litoral de São Paulo.
Paralelamente, o projeto investiu na formação de novas gerações por meio de encontros semanais de educação patrimonial com alunos da Escola Estadual Sueli Aparecida Figueira dos Santos.
A atividade resultou na criação de um museu escolar, onde os próprios estudantes desenvolveram legendas e expografia para objetos de suas histórias familiares.
Além disso, a iniciativa contou com a parceria do Projeto Guri, promovendo o ensino de músicas caiçaras registradas nas pesquisas de Kilza Setti e conectando tradição, memória e formação cultural de crianças e adolescentes.
Como parte da programação de encerramento, o público poderá participar de vivências de artesanato caiçara com mestres locais e acompanhar a apresentação cultural do grupo Fandango Caiçara.




