Elcio Barbosa
Dias Toffoli e o caso Banco Master: Uma linha do tempo das intervenções e conexões institucionais
Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu papel central no caso Banco Master, escândalo de fraudes bilionárias que resultou em prejuízos estimados em R$ 12 bilhões a poupadores.
Suas decisões judiciais, conexões familiares reveladas e episódios como a viagem em aeronave ligada ao advogado de investigados geraram controvérsias sobre imparcialidade.
Esta análise apresenta uma linha do tempo factual de sua participação, intervenções no Banco Central (BC) e Polícia Federal (PF), além de descobertas envolvendo sua família, com base em registros públicos disponíveis até janeiro de 2026.
Origem do caso e primeiras ações regulatórias
O Banco Master veio à tona em 2024, quando o Banco Central identificou irregularidades em emissões de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidades acima de 40% do mercado, suspeitas de lavagem de dinheiro.
Em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em 17/11, culminou na prisão de Daniel Vorcaro, CEO do banco, e outros executivos.
No dia 18/11, o BC decretou a liquidação extrajudicial da instituição, expondo o rombo financeiro.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) manteve as prisões em 20/11, enquanto a defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Entrada de Toffoli no STF e imposição de sigilo
Em 28/11/2025, o advogado Augusto Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull – controlador do banco –, protocolou recurso no STF alegando foro privilegiado devido a um deputado envolvido em contratos.
Sorteado relator, Toffoli determinou, no mesmo dia, sigilo integral ao processo e transferiu o inquérito para a Corte, centralizando todas as investigações da PF sob sua relatoria.
Essa medida paralisou diligências independentes, exigindo prévia autorização do STF.
Preocupante é o fato de que, em 27/11 – véspera do recurso –, Toffoli viajou para Lima (Peru) em jato particular de Luiz Osvaldo Pastore, empresário ligado à aeronave, ao lado do mesmo Botelho, para assistir à final da Libertadores.
Tal episódio levanta questionamentos sobre potenciais conflitos de interesse, especialmente em um contexto de foro privilegiado.
A intervenção de Toffoli estendeu-se ao freamento inicial de buscas e apreensões pela PF, que só foram autorizadas após reconsideração em dezembro de 2025, com sequestro de bens dos investigados.
Descobertas envolvendo a família e contratos
Investigações revelaram que o escritório de advocacia de Roberta Rangel, esposa de Toffoli, firmou contrato milionário com o Banco Master, coincidindo com o período de irregularidades detectadas pelo BC.
Ademais, patrocínios de luxo, como camarotes para eventos esportivos internacionais (incluindo Champions League), foram bancados pelo banco em benefício do ministro.
Essas conexões foram destacadas em reportagens que cobram maior rigor no código de conduta do STF.
Linha do tempo detalhada da participação de Toffoli
- 2024: Banco Central detecta fraudes em CDBs e notifica MPF.
- 17/11/2025: PF prende Vorcaro e executivos na Operação Compliance Zero.
- 18/11/2025: Liquidação do banco pelo BC.
- 20/11/2025: TRF-1 confirma prisões.
- 27/11/2025: Viagem de Toffoli no jato de Pastore com advogado Botelho para final da Libertadores.
- 28/11/2025: Toffoli impõe sigilo e centraliza inquérito no STF, travando ações autônomas da PF e BC.
- Dezembro/2025: Autoriza segunda fase da operação após pedido da PF; determina sequestro de bens, mas mantém sigilo.
- 30/12/2025: PF colhe depoimentos de Vorcaro, BRB e BC para acareações, sob relatoria de Toffoli.
- Conexões familiares: Contrato do escritório da Sra. Rangel com o banco e patrocínios revelados.
Intervenções no Banco Central e Polícia Federal
Toffoli justificou o sigilo e a centralização alegando risco a investigados com foro, o que obrigou o BC e a PF a submeterem todas as medidas ao STF.
Inicialmente, negou mandados de busca, liberando-os apenas após insistência da PF.
Essa dinâmica configurou uma interferência direta nos órgãos técnicos, retardando apurações em um caso de impacto econômico nacional.
A proposta de aquisição de 58% do banco pelo BRB (banco estatal) em março de 2025, anterior à liquidação, adiciona camadas de articulação política ao episódio.
Reflexões sobre transparência e Accountability
Diante de tamanha centralização de poder, surge a indagação: em um calendário eleitoral como 2026, legislar para extinguir foros privilegiados em casos de corrupção financeira não seria o caminho para desburocratizar a Justiça?
Ou a perpetuação de sigilos eternos continuará a obstruir a accountability de altas autoridades?
Politizados atentos ao ciclo eleitoral poderão ponderar se reformas constitucionais, impulsionadas por maiorias qualificadas no Congresso, alterariam esse padrão de interferências judiciais em investigações econômicas.
O caso Banco Master expõe fragilidades sistêmicas: poupadores lesados arcam com o custo, enquanto conexões pessoais e decisões monocráticas definem rumos investigativos.
A ausência de um código de conduta vinculante no STF agrava o quadro, demandando escrutínio público contínuo.




