Desenvolvida pela artista def (PCD) Isadora Ifanger, programação difunde cultura do
acesso pelo Estado e inclui espetáculo, performance e oficina dias 22 e 24 de agosto.
A artista def (PCD) Isadora Ifanger apresenta, nos dias 22 e 24 de agosto, o
projeto “Deforma: Acessibilidade em Cena e Cultura DEF” – que inclui a oficina
“Bordando cicatrizes” e apresentações da performance “Deforma” e do espetáculo
“Inunda-me” – no Teatro Marcelo Denny em São José dos Campos/SP. Todas as
ações têm entrada e participação gratuitas.
Segundo Isadora, o projeto tem o intuito de levar a cultura do acesso para
diferentes públicos, além de difundir a arte produzida por artistas def (PCD). No
espetáculo “Inunda-me”, a audiodescrição é narrada em microfone aberto para todo
o público, de forma que a narração torna-se parte da dramaturgia do espetáculo e é
também traduzida pela intérprete de Libras que acompanha a artista em cena.
“O que a princípio seria um solo, torna-se um material com três figuras principais: a
atriz, a intérprete que a acompanha e a narradora. O enredo se desdobra na história
de uma mãe que perde o filho para o mar e passa a buscá-lo em tudo que é úmido,
mas a busca frequente sem retorno acaba a engolindo em um mar de solidão”.
Já na performance “Deforma”, a própria artista audiodescreve as ações,
espaços e imagens em suas falas, sem uma narradora extra, e a intérprete de
Libras a acompanha fazendo um espelho de suas ações, com uma trilha sonora ao
vivo da violoncelista Luca D’Alessandro, que também propõe as ações da cena.
“Aqui eu mergulho na ancestralidade da pessoa com deficiência através do meu
próprio corpo, que constrói estes elementos por meio de linhas vermelhas traçadas
pelo espaço, trazendo referências históricas de importantes nomes de artistas e
pesquisadores com deficiência do Brasil, fazendo com que o público se integre
também dessa importante discussão social”, conta Isadora.
“Na apresentação eu visto um figurino todo em cor da pele e fios vermelhos
que representam veias, sangue… e enquanto performo, traço várias linhas
vermelhas no espaço, trazendo questionamentos, inquietações e envolvendo o
público presente”, diz a artista. “Apresento ali também o nome de pessoas com
deficiência que compõem o projeto de alguma maneira, compartilhando
experiências”.
O projeto “Deforma: Acessibilidade em Cena e Cultura DEF” foi contemplado
com o Edital Fomento CultSP PNAB No 27/2024 – Difusão e Circulação de Projetos
Artísticos Culturais e passará ao longo dos próximos meses por mais quatro cidades do Estado. Desde maio, já aconteceram apresentações em Matão, Sertãozinho,
Campinas, Hortolândia e São Carlos.
Sobre a artista
Isadora Ifanger é artista def, atriz e performer, bacharel em Artes Cênicas
pela Unicamp e mestranda no Mestrado Profissional em Artes da Cena: Laboratório
de Mediação Cultural – Escola Itaú Cultural e Escola Superior de Artes Célia Helena,
onde tem como foco a pesquisa “Entremeios da cultura DEF”, orientada por Sônia
Goussinsky e Estela Lapponi.
Atua como audiodescritora e produtora de acessibilidade cultural com foco
em acessibilizar todas as etapas de uma produção artística, desde a elaboração do
projeto, a mediação do público com o material finalizado e a pós produção; também
pesquisa a audiodescrição como linguagem teatral, sendo o recurso de
audiodescrição inserido na dramaturgia de seus materiais de pesquisa. Em 2023
estreou seu primeiro espetáculo solo “Inunda-me”, com direção de Gabriela Ramos,
e também teve a estreia da performance “Deforma”, com direção de Estela Lapponi,
que é resultado de sua pesquisa de mestrado.
Ambos projetos foram contemplados
pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas – FICC 2022 e foram
apresentados na cidade de Campinas, onde Isadora é residente.
Confira as informações completas sobre cada ação abaixo:
Atividade formativa “Bordando Cicatrizes”
Data: 22 de agosto (sexta-feira)
Horário: 16h às 18h
Local: Teatro Marcelo Denny (Rua Elisa Costa Santos, 154 – Jardim São Dimas, São José
dos Campos/SP)
Sinopse: A oficina “Bordando cicatrizes” é um espaço de troca entre pessoas com e sem
deficiência.
Na oficina, a mediadora Isadora Ifanger traz a relevância histórica do bordado
em espaços de acolhimento de pessoas com deficiência e compartilha um método de
bordado expansivo, onde ao invés de tecido e agulha são utilizados materiais de grandes
dimensões, como cartolinas, EVAs e semelhantes, que serão desenhados e furados com
lápis (aqui substituindo o furo da agulha) e bordados com as próprias mãos com uma linha
de fio de malha (a mesma utilizada em Deforma).
Performance “Deforma”
Data: 22 de agosto (sexta-feira)
Horário: 20h
Local: Teatro Marcelo Denny (Rua Elisa Costa Santos, 154 – Jardim São Dimas, São José
dos Campos/SP)
Acessibilidade: Libras e Audiodescrição
Sinopse: O que pode uma criatura capaz de nascer e viver em todas as ancestralidades e
mesmo assim não pertencer a lugar algum?
Entre teias e raízes, a artista def (PCD) Isadora Ifanger compartilha a performance Deforma
em busca do diálogo entre a cultura def e sua ancestralidade, discutindo formas possíveis
de se pensar na ancestralidade de um povo marginal que, em maioria, não possui uma
árvore genealógica que condiz com sua própria identificação e elabora também
pensamentos deformados do que é a cultura desse povo.
Mais pretensiosamente ainda, tem intuito de falar sobre afeto para com os corpos com
deficiência através de uma linguagem audiodescrita pela própria performer em cena.
Espetáculo “Inunda-me”
Data: 24 de agosto (domingo)
Horário: 19h
Local: Teatro Marcelo Denny (Rua Elisa Costa Santos, 154 – Jardim São Dimas, São José
dos Campos/SP)
Acessibilidade: Libras e Audiodescrição
Sinopse: Procurou seu filho em tudo que era úmido, um toque, um respingo de vida que
fosse, mas, sem respostas, o desespero, o cansaço e a crescente solidão também a
engoliram.
Inunda-me toma como inspiração os textos “A dama do mar” de Susan Sontag e o conto “O
menino de água” presente no livro Contos de cães e maus lobos de Valter Hugo Mãe, junto
ao poema e música “Rio da saudade” de Marcelo Onofri para compartilhar a história de uma
mulher que busca na água uma memória perdida, em uma crescente inundação de
desespero, amor e alucinações em busca de seu filho já diluído no mar.