Mais autonomia e segurança: cerca de 44% de famílias atendidas pela CDHU são chefiadas por mulheres
Das 10,4 mil mulheres chefes de família, 7,9 mil delas são mães solo; além de prover moradia, CDHU também atua para proteger direito de propriedade de mutuárias, emitindo contrato de financiamento no nome delas
| Dos mais de 23,3 mil atendimentos realizados no período, 10,4 mil foram destinados a mulheres monoparentais, sendo que, destas, mais de 7,9 mil figuram entre as mães solo. |
A conquista da autonomia para muitas mulheres começa, primeiro, com a realização do sonho da casa própria para sua família.
Neste cenário, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), sendo a maior empresa pública de promoção de moradia social do país, tem desempenhado um papel fundamental para trazer mais segurança habitacional a este público historicamente marcado por diversas vulnerabilidades.
Como resultado evidente deste apoio, nos últimos três anos, mais de 40% das famílias atendidas pela Companhia são chefiadas por mulheres, ou seja, dos mais de 23,3 mil atendimentos realizados no período, 10,4 mil foram destinados a mulheres monoparentais, sendo que, destas, mais de 7,9 mil figuram entre as mães solo.
Os dados exemplificam que a atuação da estatal tem sido uma importante ferramenta de transformação social na vida de mulheres que, sem apoio do Estado, encontram dificuldades para a aquisição de um lar e, consequentemente, da base necessária para o desenvolvimento familiar.
É o caso da cuidadora Cristiane Magda que, aos 51 anos, por meio do financiamento habitacional da CDHU, conquistou seu apartamento em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
Mãe solo do adolescente Christyan da Silva, de 13 anos, ela esperou a vida toda para sair do aluguel e constituir patrimônio para deixar de herança ao filho. “Terei segurança e independência, tudo aquilo que eu não tive antes de ter condições, principalmente por ser mãe solo.
Sou batalhadora e tenho orgulho de dizer que consegui criar meu filho sozinha e hoje eu tenho a oportunidade de deixar um bem maravilhoso para ele”, comemorou ela à época.
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Foi também por meio da CDHU que Alana Alves Francisco, de 28 anos, obteve mais liberdade e privacidade para viver ao lado da filha Samira, de apenas 6 anos.
A secretária por, até então, não ter condições de adquirir um imóvel, morava com os pais em Borborema, na Região Central do Estado. “É muita felicidade! Eu sempre esperei para ter minha própria casa. Então, é uma conquista muito grande.
Vou morar com minha filha, de seis anos. Agora vai ser diferente, com mais liberdade por morar sozinha com ela. Será uma boa experiência”, contou.
Para ela, o valor da conquista é sentido em dose dupla, pois a moradia ficará de herança para sua pequena. “É uma coisa nossa.
É um futuro melhor para nós duas, pensando principalmente nela e no seu futuro”, falou. Sobre o valor da prestação a ser pago, a secretária também afirmou estar bem satisfeita: “Ficou muito bom! É um valor que eu consigo pagar. Agora vou pagar uma casa que é minha”, finalizou.
Financiamento facilitado garante lar seguro e digno para mulheres chefes de família
Pela CDHU, a conquista da casa própria é realizada por meio de um financiamento facilitado, o que, em muitos casos, é o único modo possível para que a mulher chefe de família consiga conquistar um lar digno e seguro.
As prestações são calculadas de acordo com a renda familiar, com duas modalidades: comprometimento de até 20% da renda, com parcelas corrigidas apenas pela inflação (IPCA), ou comprometimento de até 30% da renda, com parcelas fixas, sem reajustes durante todo o prazo do financiamento.
As famílias contempladas para receberem suas habitações são selecionadas por meio de sorteio público.
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Contratos emitidos em nome de mulheres
Para assegurar as garantias habitacionais das mulheres, os contratos de financiamentos da CDHU são emitidos no nome das mutuárias.
Caso elas possuam cônjuge ou companheiro, eles figuram como segundo titular. A medida se fez necessária porque a prática da venda do imóvel pelos homens sem o consentimento da parceira era comum, conforme constatado pelas áreas técnicas da CDHU.
Neste caso, a proteção abarca não só a mulher, como também os filhos.
Independentemente da ordem de inclusão dos beneficiários no contrato, ambos têm direitos sobre o bem adquirido e, no caso do financiamento, o responsável pelo pagamento é quem está na composição de renda. Sendo designada ou não pelo financiamento, a mulher é a primeira signatária do contrato e tem a garantia de que o imóvel só poderá ser negociado com o seu consentimento.
Estratificação dos dados
Desde 2023, dos 23,3 mil atendimentos realizados, 19,5 mil foram destinados a famílias que possuem mulheres em sua composição, sejam elas casadas ou não.
A estratificação dos dados mostra, ainda, que mais de 4,8 mil (21%) delas possuem cônjuges, mas não dependem financeiramente deles, enquanto outras 4,2 mil (18%) também são casadas, mas não possuem fonte de renda própria.
Mais independência com a Carta de Crédito Imobiliário (CCI)
Além da produção direta da CDHU, o Casa Paulista também conta com outra modalidade, a Carta de Crédito Imobiliário (CCI), que também opera para ajudar mais mulheres a conseguirem comprar o primeiro imóvel e deixar a casa dos pais ou o aluguel para trás.
Isso porque um dos maiores entraves para se conseguir um financiamento habitacional é não possuir o valor da entrada.
Muitas vezes, as pessoas que pagam um aluguel conseguem quitar a prestação do financiamento, porém não possuem o poder de poupança necessário para a entrada.
O subsídio CCI, oferecido pela gestão estadual a fundo perdido, então, viabiliza a compra da moradia, para indivíduos com renda de até três salários mínimos, com cheques que variam de R$10 a R$16 mil.
A realidade de Ellen Ferraz de Brito, de 35 anos, comprova que as famílias são chefiadas por mulheres.
Ela, que é auxiliar administrativa, conta que sempre teve o sonho de ter um imóvel próprio e bem localizado. Em 2024, na cidade de São Paulo, com a carta de crédito estadual, finalmente conseguiu realizar esse sonho e deixar a casa da mãe.
“Se não fosse o subsídio, eu acredito que não conseguiria comprar por conta da minha renda. Eu ia precisar de mais uma pessoa para me ajudar a pagar. Então, com o benefício eu consegui comprar sozinha meu primeiro imóvel”, contou, emocionada.
O novo apartamento de Ellen, no centro da capital, permitiu que ela desse início a uma nova fase de vida, em um empreendimento dotado de boa infraestrutura de comércios e serviços e segurança. “Eu estou muito feliz. Quando peguei a chave na mão, pensei: ‘nossa, consegui’. É um condomínio maravilhoso. Posso, então, desfrutar de todo esse espaço que é meu”, concluiu.
Assim como a Ellen, com apenas 21 anos, a família da agente de aeroporto Laila Gomes é chefiadas por mulheres e foi contemplada com o subsídio do Casa Paulista e também comprou sua primeira casa própria no mesmo empreendimento em 2024.
Ela veio de Recife para São Paulo em busca de melhores oportunidades de estudo e recebeu as chaves ao lado do pai, o marceneiro Luis Carlos.
Sem o apoio do programa, ela também enfrentaria dificuldades para ter seu próprio imóvel. “O cheque abriu portas, porque, com ele, não precisei dar uma entrada muito grande, tive um abatimento melhor. Se não fosse o subsídio, com certeza ia ficar mais pesado para eu pagar”, disse.
Apesar de jovem, Laila, que até então morava com a tia, entendeu que a aquisição de seu apartamento representa também uma oportunidade de mais crescimento pessoal. “Ter o meu próprio imóvel é um passo enorme para minha vida, para criar mais maturidade e responsabilidade e ter um lugar para finalmente chamar de meu”, celebrou.
Em muitas cidades do interior do estado de São Paulo, a modalidade de atendimento também faz a diferença na vida de mulheres que desejam se tornar mais independentes e conquistar o próprio espaço.
Foi o caso de Caroline Melo Souza, de 32 anos. Ela, que é colaboradora em um centro logístico de Piracicaba, comprou seu primeiro apartamento no município com o subsídio estadual em setembro de 2025.
Animada, Caroline contou que a realização vem acompanhada de mais liberdade. “Só quem batalha todos os dias sabe a luta que é para conseguir realizar esse sonho. Agora, as coisas mudam bastante. Eu morava com os meus pais, mas a gente ter a nossa própria casa traz uma sensação muito boa de independência”.
Segundo ela, a carta de crédito do Casa Paulista foi essencial para realizar a compra do imóvel. “Recebi esse benefício, e ele me ajudou muito.
As parcelas foram diminuídas, e a entrada ficou menor também. Tudo isso possibilitou a minha conquista”, concluiu.
Sobre a Carta de Crédito Imobiliário
Na modalidade CCI, o Programa Casa Paulista concede subsídios a famílias com renda de até três salários mínimos para a compra de unidades habitacionais em empreendimentos autorizados pela SDUH, no âmbito dos financiamentos Caixa-FGTS.
Os subsídios variam entre R$ 10 mil e R$ 16 mil, conforme a localização do imóvel, e podem ser somados a benefícios federais e ao uso do FGTS, quando disponíveis.
Essa combinação reduz o valor das prestações, adequando-as à capacidade de pagamento das famílias.
A demanda é aberta a todos os interessados que atendam aos critérios do programa e tenham a habilitação aprovada pela Caixa Econômica Federal, responsável pelo financiamento habitacional.
Desde o início da atual gestão, o Casa Paulista já viabilizou a compra de 46,9 mil moradias na modalidade CCI, com aporte de R$ 573,8 milhões. Outros 56,2 mil imóveis seguem em produção, com aporte de mais de R$ 716,3 mil.




