Tarifas de 25% nas cotas de importação de aço chines não contêm avanço no Brasil em 2025.
Importações atingiram 6,4 milhões de toneladas, com aço chines dominando 56,7% a 91,5%. Setor siderúrgico de SP e Vale do Paraíba sente impacto.
Desde abril de 2024, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), em Brasília, aprovou cotas de importação para 11 produtos siderúrgicos, estabelecendo tarifa adicional de 25% sobre volumes excedentes.
Essa medida buscava conter o aço chinês de baixo custo, mas foi ampliada em maio de 2025 para 23 produtos, diante de manobras de importadores com variações de produtos.
Em janeiro de 2026, novas elevações tarifárias foram anunciadas, evidenciando a persistência do desafio.
Concentração da produção e impactos regionais
Os estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo abrigam 80% da capacidade siderúrgica nacional, com plantas industriais emblemáticas como João Monlevade, em Minas Gerais, e Volta Redonda, no Rio de Janeiro. No Vale do Paraíba, empresas metalúrgicas como a GERDAU e USIMINAS enfrentam oscilações de preços e ameaças em suas cadeias de suprimentos, agravadas pela concorrência externa.
A China controla entre 56,7% e 91,5% das importações brasileiras de aço, variando conforme o tipo do produto. Em 2025, o volume total importado alcançou 6,4 milhões de toneladas, recorde recente, sendo 5,7 milhões de laminados – crescimento de 20,5% em relação a 2024.
Crescimento acelerado das importações de aço chines
No primeiro trimestre de 2025, as importações de aço plano chinês bateram 1 milhão de toneladas, com aumento de 42%.
Nos quatro primeiros meses do ano, o fluxo geral cresceu 27,5%, enquanto as exportações brasileiras recuaram 4,4%.
Dentro das cotas, que variam de 470 mil a 1,261 mil toneladas por produto, incidem tarifas normais de 9% a 12,6%; acima disso, aplica-se a taxa extra de 25%, válida por um ano.
Os produtos importados já representam 25% do consumo interno brasileiro, ante histórico de cerca de 10%.
Nos primeiros sete meses de 2024, apesar das cotas iniciais, as entradas subiram 23,7%, totalizando 3,3 milhões de toneladas.
Dados evolutivos das importações
| Ano/Período | Importações Totais (mi ton) | Laminados (mi ton) | % China | Variação vs Ano Anterior |
|---|---|---|---|---|
| 2023 | ~5 mi ton | – | 90% | – |
| 2024 (7 meses) | 3,3 mi ton | – | 56,7% | +23,7% |
| 2025 (1º tri) | 1 mi ton aço plano | – | 91,5% | +42% |
| 2025 (ano) | 6,4 mi ton | 5,7 mi ton | 65% | +20,5% (laminados) |
Desafios na aplicação das cotas-tarifa
Embora alinhadas a protecionismos nos EUA, União Europeia e México, as cotas enfrentam contornos via subprodutos siderúrgicos ou estoques acumulados.
O setor estima R$ 100 bilhões em investimentos potenciais até 2029, mas produção local contrai e empregos diretos – 140 mil no total – correm risco.
A capacidade ociosa chinesa, de 560 milhões de toneladas, sustentada por subsídios estatais, pressiona preços globais.
Paralelamente, o setor têxtil brasileiro, após a entrada da China na OMC em 2001, viu importações dispararem, com o país respondendo por 58,9% dos tecidos de algodão e 66% dos fios em 2025, totalizando US$ 1,2 bilhão.
Perspectivas e medidas futuras
Com tarifas de 25% impostas pelos EUA desde março de 2025, fluxos de aço chines podem se intensificar no Brasil.
O Gecex-Camex reforça fiscalização, enquanto o setor defende investigações antidumping e reciprocidade comercial.
No Vale do Paraíba, a estabilidade dos suprimentos metalúrgicos torna-se crucial para a indústria regional.



