O Banco Master virou símbolo de um dos maiores escândalos financeiros do Brasil ao ser acusado de operar um esquema de fraude, CDBs superfaturados e uso de dinheiro público. O caso estourou em 2025, provocou a liquidação do banco e gerou uma cadeia de investigações envolvendo Banco Central, PF, STF, TCU e diversos ministros do governo federal.
No centro do rombo estão denúncias de que o banco estruturou títulos superfaturados e produtos financeiros de risco elevado para atrair recursos de grandes investidores, inclusive governos estaduais e municipais, aproveitando brechas regulatórias e a leniência de autoridades.
O modelo do Banco Master e como o esquema se expandiu
O Banco Master atuava como banco digital voltado a investidores, empresas e órgãos públicos, com foco em CDBs de rentabilidade acima do mercado. Em pouco tempo, captou dezenas de bilhões de reais, especialmente de gestões públicas que buscavam “juros altos sem risco” – uma promessa que se mostrou farsa.
Banco Master
O esquema cresceu com a utilização de títulos de terceiros inflados, estruturas complexas e offshore, o que permitiu ao banco ofertar retornos altos sem lastro real. Para setores conservadores, o caso reforça a crítica de que pontos de fraqueza no Estado e na regulação bancária são explorados por bancos e políticos que se movem pelo interesse próprio, e não pelo interesse público.
Operação Compliance Zero e prisões de topo
Em 2025, o Banco Central ampliou a fiscalização e, diante de sinais de risco, determinou a liquidação extrajudicial do Master em novembro daquele ano. A decisão foi seguida pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que mira saques em caixa‑2, movimentações para empresas offshore e provável uso de recursos públicos.
Banco Master
Nesse cenário, o banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, foi preso por suspeita de liderar o esquema. Executivos, gestores financeiros e intermediários ligados ao grupo também foram alvo de mandados de busca, prisão e sequestro de bens.
Ministros citados no cerco ao esquema
O caso ganhou matiz político quando passou a ser associado a decisões, autorizações e proximidades de ministros com o universo do Master. Embora muitos ainda não tenham sido formalmente condenados, os nomes aparecem repetidamente em delações, investigações e na imprensa.
Entre os ministros mais citados nas apurações estão:
- Flávio Dino, então ministro da Justiça, associado a decisões de cunho político e medidas cautelares que beneficiaram o banco em momentos críticos.
- Fernando Haddad, ministro da Fazenda, envolvido em discussões sobre regulação bancária e uso de recursos públicos aplicados em CDBs do Master.
- Marcelo Lopes, ministro da Economia, citado em relatos de proximidade com o setor financeiro e com decisões que teriam reforçado a fragilidade na supervisão de bancos como o Master.
- Ministros de áreas estratégicas (como Infraestrutura e Governo Digital), que tiveram contatos diretos com Daniel Vorcaro e com empresas ligadas ao esquema, gerando suspeitas de favorecimento e troca de benesses.
Para o espectro de direita, o caso é um exemplo típico de convergência entre elites financeiras e núcleos políticos, em que o poder público é usado para proteger bancos e facilitar esquemas de risco, enquanto a população paga a conta.
Papel do FGC e quem perdeu dinheiro
Com o banco em liquidação, quem investiu no Master passou para a fila do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A proteção é individual, por titular (CPF ou CNPJ), até o limite de R$ 250 mil, abrangendo tanto correntistas quanto investidores em CDBs.
O FGC vem atuando para resgatar esses valores e buscar a recuperação de ativos, mas clientes que ficaram acima do limite podem sofrer perda total ou receber ressarcimento parcial. O esquema do Master, portanto, castiga, de forma direta, pequenos e médios investidores, muitos deles atraídos pela narrativa de “rentabilidade alta e segura” vendida por gestões públicas e operadores financeiros próximos ao governo.
Como está o processo em 2026
Em 2026, o Banco Master é visto como um caso emblemático de promiscuidade entre poder público, sistema financeiro e regulação frouxa. O banco está oficialmente liquidado, os processos criminais contra Daniel Vorcaro e parceiros do esquema seguem em curso, e o FGC continua o processo de ressarcimento.
O STF e o TCU mantêm investigações sensíveis sobre decisões favoráveis, autorizações e uso de recursos públicos no esquema. Para críticos de esquerda e de direita, o caso reforça a necessidade de maior transparência, separação entre poder público e setor financeiro e punição exemplar daqueles que usam o Estado para proteger esquemas de alto risco.
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