Escolas de samba sempre usaram desfiles para homenagear ou criticar políticos. Em 2006, PT tentou barrar alegoria da Leandro de Itaquera que exaltava Serra, Alckmin e Mário Covas durante obras do Tietê.
A discussão sobre homenagens a lideranças políticas em desfiles de Carnaval tem longa história no Brasil. Em 2006, durante o primeiro mandato de Lula, o PT reagiu contra alegoria da Leandro de Itaquera, então no Grupo Especial de São Paulo.
Caso Leandro de Itaquera em 2006
O enredo oficial falava de “festas populares que nascem das águas”, mas usava como eixo narrativo as obras de rebaixamento da calha do Rio Tietê. No último carro alegórico, a escola incluiu referências aos pré-candidatos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, além de busto do ex-governador Mário Covas.
Integrantes do PT criticaram o desfile como promoção pessoal financiada por verba pública. A Prefeitura de São Paulo destinava R$ 300 mil por escola do Grupo Especial.
Ação judicial do vereador Arselino Tatto
Vereador Arselino Tatto (PT-SP) pediu judicialmente a suspensão do carro alegórico. Argumentou uso indevido de recursos públicos para promoção de adversários políticos em ano eleitoral.
A Justiça rejeitou o pedido, mas episódio marcou tensão entre carnaval e política.
História de Políticos no Carnaval
Carnaval sempre espelhou conjuntura política brasileira:
Presidentes em enredos:
- Getúlio Vargas ganhou marchinhas no Estado Novo
- Juscelino Kubitschek foi tema da Mangueira (1981)
- Lula homenageado pela Cidade Jardim/BH (2023)
Críticas diretas:
- Mangueira retratou Marcelo Crivella como Judas (2018)
- Imperatriz Leopoldinense criticou confisco da poupança por Collor (1992)
Outros políticos:
- Leonel Brizola tema de escola carioca
- Mário Covas enredo completo em SP
Carnaval como termômetro político
Desde Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, presidentes inspiraram marchinhas. Escolas de samba misturam celebração cultural e crítica social. Subvenções públicas alimentam debates sobre limites entre arte, propaganda e isonomia eleitoral.
Carnaval carioca registra 26 casos de políticos em enredos desde 1932. Bolsonaro e Temer foram alvos recentes de críticas.



