Vírus Nipah em crianças: riscos, sintomas e formas de prevenção

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença não apresenta risco para o Brasil e tem potencial baixo para uma nova pandemia

Curitiba, 4 de fevereiro de 2026 – O recente surto do vírus Nipah na Índia acendeu um alerta mundial. Apesar da alta letalidade, não é considerado um risco iminente de pandemia, pois é um vírus zoonótico com transmissão limitada entre humanos. Ainda assim, é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como prioritário, já que não há vacina ou tratamento específico e pode evoluir rapidamente para formas graves, especialmente em crianças.
 

Por isso, o Hospital Pequeno Príncipe, que é o maior e mais completo hospital pediátrico do país, esclarece as principais dúvidas sobre a doença. “As crianças, idosos, gestantes e imunodeprimidos fazem parte do grupo com maior risco de desenvolver formas graves da doença, que se manifestam nos pulmões, causando insuficiência respiratória, e no sistema nervoso central, gerando encefalites [inflamação no cérebro]”, alerta o infectologista pediátrico Victor Horácio, do Pequeno Príncipe. Segundo ele, de 40% a 70% dos pacientes que desenvolvem quadros de insuficiência respiratória e encefalite podem ir a óbito.
 

O que é e como ocorre a transmissão?

Segundo a OMS, o vírus Nipah foi descoberto em 1999, em um surto entre criadores de porcos na Malásia. Ele pertence à família Paramyxoviridae e é zoonótico, ou seja, é transmitido pelos animais, principalmente morcegos e porcos. Para isso, é necessário o contato direto com animais ou com alimentos contaminados com saliva, sangue, urina ou fezes.
 

“O número de casos de contaminação de uma pessoa para outra é muito pequeno. Os casos relatados até hoje são de profissionais da área da saúde que estão dando atendimento às pessoas infectadas”, tranquiliza o médico. De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus Nipah não apresenta risco para o Brasil e tem potencial baixo para uma nova pandemia.
 

Quais são os sintomas do vírus Nipah em crianças?

Após a contaminação, varia entre 4 e 14 dias para iniciarem os sintomas iniciais, que são semelhantes aos de outras viroses comuns, como:

  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dor muscular;
  • mal-estar geral.

“O sinal de alerta ocorre quando, após alguns dias, há alteração do nível de consciência, como tontura, confusão mental e convulsões. Esses sintomas estão relacionados com uma das complicações maiores desse vírus que são as encefalites”, explica o infectologista pediátrico.
 

O vírus Nipah tem cura?

Atualmente, não existe tratamento específico contra o vírus Nipah. O cuidado é baseado em tratamento sintomático e de suporte respiratório em casos de insuficiência pulmonar. Apesar da gravidade, a infecção não é fatal em 100% dos casos. O diagnóstico precoce e o manejo adequado das complicações são fundamentais para salvar vidas.
 

“Em casos graves, especialmente quando há comprometimento pulmonar ou neurológico, a criança pode apresentar sequelas e necessitar de acompanhamento médico a longo prazo, de acordo com a gravidade do quadro apresentado na fase aguda”, complementa o especialista.
 

Como prevenir a infecção do vírus Nipah em crianças?

A prevenção é a principal forma de proteção, especialmente para crianças. As medidas essenciais incluem:

  • lavar as mãos com água e sabão e usar álcool em gel;
  • evitar o contato com pessoas infectadas;
  • higienizar bem frutas e alimentos;
  • não consumir carne de porco malcozida;
  • evitar contato com morcegos e porcos.

Sobre o Pequeno Príncipe

Com sede em Curitiba (PR) e com 106 anos de atuação, o Hospital Pequeno Príncipe é o maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil e destina 74% de seus atendimentos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Filantrópica e sem fins lucrativos, a instituição oferece assistência hospitalar humanizada e de alta qualidade a crianças e adolescentes de todo o país.

Referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade, realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea, além de atuar em 47 especialidades e áreas de assistência em pediatria, com equipes multiprofissionais. Com 369 leitos, sendo 76 de UTI, em 2024, realizou 259 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil procedimentos cirúrgicos e 293 transplantes.

Em 2025, o Pequeno Príncipe foi listado como um dos 70 melhores hospitais do mundo com atuação em pediatria, no ranking elaborado pela revista norte-americana Newsweek. O resultado consolida, pelo quinto ano consecutivo, o Hospital como o melhor exclusivamente pediátrico da América Latina. Neste mesmo ano, também recebeu o reconhecimento de Hospital de Excelência pelo Ministério da Saúde, certificação concedida a instituições que cumprem rigorosos critérios técnicos na assistência.

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