Alta letalidade e ausência de vacina colocam o vírus Nipah sob monitoramento de autoridades internacionais

Jan Woitas / dpa / picturedesk.com (imagem de banco de imagens)

Especialistas esclarecem os principais pontos sobre o vírus Nipah

Alta letalidade e ausência de vacina colocam o patógeno sob monitoramento de autoridades internacionais diante do risco de uma nova pandemia

O vírus Nipah, pouco conhecido do grande público, voltou ao noticiário internacional após a confirmação de dois casos na Índia. Ele foi identificado pela primeira vez em 1998 e chama atenção pela alta taxa de letalidade, que pode chegar a 75%, e pela ausência de vacina ou tratamento específico.

Transmitida principalmente por morcegos frugívoros, o vírus é uma doença zoonótica emergente, e que também pode infectar outros animais e humanos. Segundo Alice Del Colletto, doutora em Ciências e coordenadora de Biomedicina da Estácio, a transmissão ocorre pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas ou seiva crua, e pelo contato direto entre pessoas, por meio de secreções respiratórias. A infecção pode variar de quadros leves até manifestações graves, como encefalite aguda.

De acordo com Alice, os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos, podendo evoluir rapidamente para confusão mental, convulsões, coma e morte. “Embora o risco de uma pandemia seja considerado baixo, já que a transmissão entre humanos é limitada, o monitoramento é essencial, especialmente em regiões com surtos recorrentes, como partes do Sul e Sudeste da Ásia”, destaca.

“No Brasil não temos registro da doença e contamos com sistemas de vigilância epidemiológica preparados para identificar rapidamente qualquer caso importado”, afirma Silvia Nunes Szente Fonseca, médica infectologista e docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica). De acordo com ela, o acompanhamento de viajantes vindos de áreas com surtos ativos e a capacidade de resposta do sistema de saúde contribuem para reduzir o risco de disseminação no país.

A infectologista informa que, sem vacina ou tratamento específico, a prevenção continua sendo a principal estratégia. “Medidas simples, como higienização adequada das mãos, cuidado no consumo de alimentos, especialmente frutas, e a busca por atendimento médico diante de febre persistente associada a sintomas respiratórios ou neurológicos, sobretudo após viagens internacionais, são fundamentais”, orienta.

Para as especialistas, informação de qualidade e vigilância constante são as principais ferramentas no enfrentamento de vírus emergentes. “O Brasil está atento e a população não precisa mudar sua rotina. O momento é de atenção responsável, não de alarme”, conclui Dra. Silvia.
 


Dra. Silvia Nunes Szente Fonseca, médica infectologista e docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica)
Foto de divulgação.

Alice Del Colletto, doutora em Ciências e coordenadora de Biomedicina da Estácio
Foto de divulgação.

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