Pai de criança com deficiência é preso por desviar R$ 113 mil de doações para apostas no “Jogo do Tigrinho”: o oportunismo nas campanhas de doação online
Em um caso que choca o Brasil, João Victor dos Santos Oliveira, pai de Noah Gabriel Ferreira dos Santos, um bebê de 1 ano e 5 meses que teve membros superiores e inferiores amputados devido a uma pneumonia grave, foi preso em flagrante nesta sexta-feira (23/1/2026) em Murici, Alagoas.
O Ministério Público de Alagoas (MP-AL), por meio da Promotoria de Justiça local, denunciou o homem por desvio de R$ 113 mil arrecadados em campanhas de doações, rifas e apelos televisionados.
A quantia, depositada na conta do próprio filho, foi usada pelo pai em apostas virtuais, incluindo o perigoso “Jogo do Tigrinho”.
A história de Noah mobilizou solidariedade nacional. Moradores de Murici e de outras cidades doaram generosamente via redes sociais, Pix e eventos beneficentes, muitos impulsionados por matérias em programas de TV.
No entanto, investigações revelaram que João Victor transferiu o dinheiro para contas pessoais e o gastou em jogos de azar online, expondo uma face sombria das campanhas de doação pela internet.
O caráter oportunista das campanhas de doação online: Uma análise crítica
Esse caso em Murici não é isolado, mas reflete um padrão crescente de oportunismo nas campanhas de doação pela internet.
Plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp facilitam a viralização de histórias emocionantes, como a de Noah, atraindo doações rápidas via Pix.
No entanto, a ausência de fiscalização permite que indivíduos explorem a empatia coletiva para fins pessoais. João Victor, ao usar o sofrimento do filho para angariar fundos e depois apostá-los no “Jogo do Tigrinho” – um jogo ilegal conhecido por viciar e arruinar vidas –, exemplifica o cinismo extremo.
Analisando o fenômeno, vemos um ciclo vicioso: a comoção inicial gera influxo de recursos, mas a falta de transparência leva a desvios.
Dados do Ministério Público e da Polícia Federal indicam que fraudes em campanhas beneficentes cresceram 300% durante a pandemia, com casos semelhantes em São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 2025, o “Jogo do Tigrinho” foi responsável por prejuízos bilionários, muitas vezes financiados por “causas nobres” falsas.
Aqui, a crítica vai além do indivíduo: redes sociais priorizam engajamento sobre verificação, algoritmos impulsionam apelos sensacionalistas, e doadores, movidos por emoção, pulam etapas de checagem.
| Aspecto | Problema Identificado | Consequências |
|---|---|---|
| Facilidade de Criação | Qualquer um inicia campanha com foto emotiva e QR Code Pix | Milhões desviados sem rastreio |
| Falta de Fiscalização | Plataformas não exigem comprovação | Casos como Murici se repetem sem punição imediata |
| Psicologia do Doador | Empatia explorada por narrativas virais | Perda de confiança na solidariedade online |
| Vício em Jogos | “Jogo do Tigrinho” como destino comum | Famílias reais sofrem duplamente |
Para combater isso, urge regulação: projetos de lei como o PL 2.633/2021 propõem cadastro obrigatório de campanhas em plataformas transparentes, com prestação de contas auditada.
Órgãos como o MP e a Senacon (Secretaria de Defesa do Consumidor) devem intensificar monitoramento. Doadores, por sua vez, precisam verificar ONGs certificadas pelo IBGE ou sites como o Observatório da Filantropia antes de contribuir.
Esse episódio em Alagoas serve de alerta: a internet amplifica o bem, mas também o oportunismo.
Noah, vítima dupla de doença e traição paterna, simboliza as crianças abandonadas à própria sorte. Sem reformas urgentes, a “solidariedade digital” corre o risco de virar sinônimo de golpe.





