Moradores do bairro Santa Tereza, em Taubaté, voltaram a cobrar providências da Prefeitura após a enchente que atingiu a região nas últimas semanas. O foco da preocupação é o Córrego Boçoroca, que corta o bairro e transbordou durante as fortes chuvas, causando apreensão e prejuízos às famílias da área. É urgente pensar em medidas de Limpeza para evitar novos desastres.
Creditos:Taubaté em Debate
Além disso, a Limpeza dos canais e córregos é essencial para a manutenção da segurança e saúde da comunidade.
Renata Cobra esteve no bairro Santa Tereza, em Taubaté, mostrando a situação do Córrego Boçoroca após a enchente.
No último dia 11 de fevereiro, equipes da Prefeitura e do Departamento de Estradas de Rodagem realizaram a desobstrução das aduelas responsáveis pela passagem da água sob a rodovia que margeia o córrego. A intervenção removeu lixo e vegetação acumulados no ponto de travessia, liberando momentaneamente o fluxo.
No entanto, segundo relatos de moradores ouvidos pela reportagem, o serviço foi considerado paliativo. “Limparam só a boca da passagem. O resto do córrego continua assoreado, cheio de barro e mato. Se chover forte de novo, vai transbordar”, afirma um comerciante da região que preferiu não se identificar.
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Limpeza superficial e risco persistente
Imagens registradas após a intervenção mostram que, embora a obstrução imediata tenha sido retirada, o leito do córrego permanece com grande volume de sedimentos acumulados, o que reduz a capacidade de vazão da água. Especialistas explicam que, sem o desassoreamento completo — que envolve a retirada de terra, entulho e resíduos ao longo de toda a extensão crítica — o risco de novos alagamentos permanece elevado.
O temor dos moradores não é infundado. Em períodos de chuva intensa, comuns no verão do Vale do Paraíba, córregos urbanos com manutenção irregular tendem a transbordar rapidamente, especialmente quando há estreitamento em pontes e passagens sob rodovias.
Famílias ainda vivem sob tensão
A enchente mais recente deixou marcas emocionais na comunidade. Embora não haja registro oficial de desabrigados neste ponto específico, diversas famílias relataram perdas materiais e momentos de pânico com a elevação rápida do nível da água.
“Foi questão de minutos. A água começou a subir e já entrou no quintal. A gente ficou com medo de perder tudo”, conta uma moradora que vive há mais de 20 anos no bairro.
Desde então, a sensação predominante é de insegurança. Moradores afirmam que, após a limpeza pontual realizada no dia 11, não houve retorno das equipes técnicas para avaliar a necessidade de um serviço mais profundo. “Sumiram daqui. A gente não viu mais ninguém da Prefeitura”, relata outro residente.
Cobrança por planejamento e prevenção
A situação reacende o debate sobre a necessidade de manutenção preventiva em áreas historicamente vulneráveis a enchentes. A limpeza apenas em pontos críticos, sem um plano contínuo de desassoreamento e manejo ambiental, tende a oferecer apenas alívio temporário.
Urbanistas destacam que o crescimento urbano desordenado, aliado ao descarte irregular de lixo e à falta de fiscalização constante, agrava o problema. Ainda assim, moradores argumentam que cabe ao poder público liderar ações estruturais e permanentes.
“Não dá para esperar a próxima enchente para agir de novo”, resume um líder comunitário.
Silêncio oficial
Até o momento, não houve divulgação de cronograma público detalhado para a continuidade da limpeza ou para obras estruturais no Córrego Boçoroca. Também não foi informado se há estudo técnico em andamento para ampliação da capacidade de drenagem ou reforço das margens.
Enquanto isso, famílias do Santa Tereza seguem monitorando o nível da água a cada nova pancada de chuva — com a sensação de que a solução adotada foi apenas um remendo diante de um problema maior.
A comunidade pede transparência, presença e ações concretas. Porque, para quem vive às margens do córrego, cada nuvem carregada no céu não é apenas sinal de chuva — é sinal de alerta.




