𝗖𝗼𝗻𝘀𝗲𝗹𝗵𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝗗𝗼𝗻𝗮𝗹𝗱 𝗧𝗿𝘂𝗺𝗽 𝗶𝗿𝗼𝗻𝗶𝘇𝗮 𝗟𝘂𝗹𝗮 𝗲 𝗼 𝗰𝗵𝗮𝗺𝗮 𝗱𝗲“𝗕𝗶𝗱𝗲𝗻 𝗱𝗼𝘀 𝘁𝗿𝗼́𝗽𝗶𝗰𝗼𝘀” 𝗮𝗽𝗼́𝘀 𝗱𝗲𝗰𝗹𝗮𝗿𝗮𝗿𝗮𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲𝘁𝗮𝘅𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗘𝗨𝗔

O cenário das tendências comerciais e políticas entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta semana. Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagir publicamente à sobretaxa de 50% imposta pelo governo americano sobre produtos brasileiros, um dos conselheiros enviado ao ex-presidente Donald Trump fez uma crítica ácida ao líder brasileiro, chamando Lula de “Biden dos trópicos”.

A declaração do conselheiro reflete a insatisfação pela postura de Lula, que, apesar da pressão econômica imposta por Trump, buscou usar uma retórica que mistura defesa da soberania nacional com ataques ao ex-governo brasileiro e críticas ao próprio Trump. Lula classificou a sobretaxa como injustificada e ameaçou medidas de retaliação com base na lei da reciprocidade comercial, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Essa resposta brasileira ocorre em um contexto delicado, em que os Estados Unidos, sob a liderança do presidente e então Donald Trump, suportaram sua política comercial e diplomática contra países que adotam medidas consideradas protecionistas ou que prejudicam a competitividade americana. A sobretaxa aplicada contra o Brasil visa corrigir o que os EUA classificam como desequilíbrio nas relações comerciais bilaterais, punindo setores estratégicos brasileiros como carnes, calçados, máquinas e têxteis.

Chamar Lula de “Biden dos trópicos” é uma provocação clara, comparando-o desfavoravelmente ao presidente americano Joe Biden, visto pela direita como um político marcado por políticas econômicas frouxas e governança frágil. Para os apoiadores de Trump e segmentos conservadores, Lula estaria adotando uma postura semelhante, misturando declarações populistas e protecionistas que traziam melhorias ao desenvolvimento do Brasil.

Além disso, o conselheiro reforça a visão de que Trump promove a defesa dos interesses americanos com firmeza, apontando que sua política visa priorizar a segurança econômica dos EUA diante de concorrentes e governos “problemáticos” na América Latina, em referência também à Venezuela e governos transferidos a regimes autoritários.

Enquanto isso, Lula insiste em agir com cautela diante da crise, mas defende a proteção das empresas brasileiras e o respeito à soberania nacional, mantendo uma discursiva de autoafirmação contra o que chama de interferência externa. O debate reflete não apenas um conflito comercial, mas um choque de visões e ideologias entre as administrações e seus aliados.

Este episódio, portanto, vai além da mera disputa tarifária, colocando Lula numa posição crítica diante da direita internacional e aliados de Donald Trump, demonstrando as dificuldades brasileiras em manter uma política externa que concilie soberania com integração econômica num mundo cada vez mais competitivo e polarizado.

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