Lula defende taxação dos ricos em discurso na OIT

Notícia publicada em: 13 de junho de 2024

Nesta quinta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, em seu discurso na sessão de encerramento do fórum inaugural da Coalizão Global para a Justiça Social, a importância da relação entre capital e trabalho para reduzir as desigualdades sociais. O evento fez parte da 112ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizada em Genebra, na Suíça.

Lula enfatizou que o bem-estar da população está intimamente ligado aos compromissos de preservação ambiental. Ele ressaltou a relevância da OIT diante dos desafios globais atuais e aceitou co-presidir a coalizão ao lado do diretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo.

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“O ODS 8 [Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8] sobre Trabalho Decente para Todos não está avançando na velocidade e na escala necessárias para o cumprimento de seus indicadores”, disse Lula, ressaltando que a informalidade, a precarização e a pobreza ainda são problemas persistentes.

Lula apontou que o número de pessoas em empregos informais aumentou significativamente, e que a renda dos menos escolarizados continua a cair. Além disso, muitos jovens não encontram oportunidades no mercado de trabalho, com cerca de 215 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza, mesmo estando empregadas.

O presidente destacou a necessidade de recuperar o papel do Estado como planejador do desenvolvimento e defendeu uma nova globalização, mais humana e inclusiva. Ele reiterou a proposta de taxação dos super-ricos, lembrando que a justiça social e a luta contra as desigualdades são prioridades do Brasil no G20.

“Nunca antes o mundo teve tantos bilionários. Estamos falando de 3 mil pessoas que detêm quase US$ 15 trilhões em patrimônio. Isso representa a soma das riquezas do Japão, da Alemanha, da Índia e do Reino Unido. É mais do que se estima ser necessário para os países em desenvolvimento lidarem com a mudança climática. A concentração de renda é tão absurda que alguns indivíduos possuem seus próprios programas espaciais”, afirmou Lula.

O presidente também destacou a importância de compromissos com a preservação ambiental, considerando que a transição energética e a promoção do desenvolvimento sustentável são cruciais. Ele defendeu uma sociobioeconomia e a industrialização verde como oportunidades para melhorar o bem-estar coletivo.

Lula abordou ainda a necessidade de habilidades digitais e sustentáveis em uma economia global descarbonizada, destacando que a inteligência artificial deve beneficiar todos os países, não apenas os mais desenvolvidos.

No encerramento, Lula enfatizou a necessidade de uma participação mais igualitária dos países em desenvolvimento nos organismos de governança global e defendeu a ratificação da Emenda de 1986 à Constituição da OIT, para eliminar os assentos permanentes dos países mais industrializados no conselho da organização.

A Coalizão Global pela Justiça Social, lançada no ano passado, já conta com mais de 250 membros, incluindo governos, organizações de trabalhadores e empregadores, instituições financeiras e organizações não governamentais internacionais. A Conferência Internacional do Trabalho, que reúne anualmente os 187 Estados-membros da OIT, ocorreu de 3 a 14 de junho, contando com a participação de diversas autoridades brasileiras.

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